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ELN e Farc: Um pouco sobre as guerrilhas da Colômbia

Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia estão concentradas para desarmamento e Exército de Libertação Nacional inicia processo de paz

Redação Internacional

07 Fevereiro 2017 | 06h00

Apesar de compartilharem 52 anos de luta armada contra o Estado colombiano, o Exército de Libertação Nacional (ELN), que nesta terça-feira, 7, começará os diálogos de paz com o governo do presidente Juan Manuel Santos, e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), maior guerrilha do país – que está concentrada em zonas veredais para o processo de desarmamento -, se diferenciam em vários aspectos.

Camponeses X Estudantes:
Farc: Surgiu em um levante camponês em maio de 1964 e se transformou em uma organização marxista-leninista, tendo a reforma agrária como principal reivindicação.

ELN: Levantou-se em armas em julho de 1964. Este grupo insurgente se inspirou na revolução cubana e na Teologia da Libertação, uma corrente cristã latino-americana voltada para a defesa dos pobres, e tem influência em setores urbanos, principalmente estudantis e sindicais.

Verticalidade X Federalismo:
Farc: À semelhança do comunismo soviético, sua unidade de comando é forte e vertical, com uma “coesão” clara, explica o pesquisador Camilo Echandía. O Secretariado, sua cúpula de nove comandantes, é liderada por Rodrigo Londoño (“Timochenko”).

ELN: Tem uma estrutura “mais federalizada”, onde cada frente tem voz própria, segundo o cientista político Víctor de Currea-Lugo. No entanto, conta com um Comitê Central (Coce) de cinco chefes, liderado por Nicolás Rodríguez Bautista (“Gabino”). A “coesão” do ELN, porém, está “em dúvida” devido à “flexibilização dos comandos”, aponta Echandía. Alguns analistas afirmam que Gustavo Aníbal Giraldo (“Pablito”), comandante da Frente Oriental, a quem são atribuídas 40% das ações militares do ELN, é reticente em relação à saída política do conflito.

Contingente:
Farc: Contam com 5.765 combatentes, segundo seus próprios cálculos. O governo estima que para cada membro em guerra pode haver entre um e três milicianos. Operam em 25 dos 32 departamentos da Colômbia.

ELN: Oficialmente, há cerca de 1.500 integrantes armados em suas filas, que operam em ao menos dez departamentos. Segundo especialistas, sua base social é mais ampla que a das Farc, mas não se sabe o número exato de milicianos ou simpatizantes. “Têm uma capacidade de fogo menor que as Farc”, afirmou De Currea-Lugo.

Narcotráfico X Sequestro:
Tanto as Farc quanto o ELN financiaram suas operações com o narcotráfico, mas também com o sequestro e a extorsão. “Se existe uma guerrilha sequestradora, é o ELN. É a sua principal fonte de financiamento”, disse Jorge Restrepo, diretor do centro de análise do conflito Cerac. Para esta guerrilha guevarista, a infraestrutura petroleira é o principal objetivo militar, segundo o organismo.
Nos últimos anos, a mineração ilegal também se tornou uma fonte de financiação para ambas as guerrilhas.

Terra X Participação:
O desenvolvimento de cada organização é a meta das agendas de negociação com o governo, coincidem analistas, embora com algumas diferenças. “A reivindicação das Farc é o ponto agrário, e o ELN faz ênfase na participação na sociedade”, disse De Currea-Lugo.

Ambos os roteiros para as negociações têm seis pontos. Neles, coincidem os temas “Fim do conflito”, “Vítimas” e “Implementação”. No caso do ELN estão incluídos também “Transformações para a paz”, “Participação da sociedade” e “Democracia para a paz”, enquanto que no das Farc há ainda “Solução para o problema de drogas ilícitas”, “Reforma agrária integral” e “Participação na política”.

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