Família peruana viaja na ‘menor casa sobre rodas do mundo’ e quer chegar a Washington
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Família peruana viaja na ‘menor casa sobre rodas do mundo’ e quer chegar a Washington

Fusca conta com conexão à internet, televisão, cozinha e vaso sanitário. Estrutura funciona por meio de um estudado sistema de engrenagens que permite girar os assentos e adaptar o espaço

Redação Internacional

26 Abril 2016 | 11h31

MONTEVIDÉU – Conexão à internet, televisão, cozinha, vaso sanitário e até um peixe como animal de estimação cabem em um particular Fusca, “a menor casa sobre rodas do mundo”, segundo uma família peruana que chegou nos últimos dias a Montevidéu, após passar mais de um ano viajando pelo seu país.

Javier Miller Regalado, ao lado de sua mulher Miria e sua filha de 1 ano e 2 meses Shalom, são os protagonistas desta singular aventura sobre rodas. Seu objetivo: chegar a Washington após percorrer quase todos os países da América.

“De Buenos Aires, vou passar em Santiago do Chile, depois vou passar de novo na Bolívia, da Bolívia para o Peru, do Peru vou para Equador, Colômbia, Costa Rica, Panamá, Nicarágua, El Salvador, Honduras, México e depois entro nos EUA”, detalhou Javier.

Apesar de não ser reconhecida como tal no Guinness Book (o livro dos recordes), “a menor casa sobre rodas do mundo”, chamada carinhosamente de “Don Julio”, é, além de um Fusca, um camaleônico espaço do qual surgem uma sala de estar com televisão, um refeitório, um banheiro e um dormitório para descansar a cada noite durante a viagem.

Algo que à primeira vista parece impossível, já que o espaço no interior do veículo é de pouco mais de dois metros quadrados, ganha forma por meio de um estudado sistema de engrenagens que permite girar os assentos, transformá-los em cama e adaptar o espaço para todas as necessidades.

“Foram muitos testes e melhorias”, explicou Javier, que há quatro anos usou todos os seus conhecimentos para transformar seu velho automóvel em um veículo versátil com o objetivo de percorrer o mundo.

A ideia surgiu após ele ler um artigo no qual um jornalista afirmava que os latino-americanos que menos viajavam de carro eram os peruanos e bolivianos. “Queríamos acabar com o mito, deixar o nome do Peru em evidência”, disse ele, com orgulho.

A família viaja sem cronograma e se permite “tempo para viver em cada lugar”, para “conhecer e ajudar as pessoas”, como afirmou Javier.

Javier Miller Regalado (dir.) ao lado de sua mulher Miria Cervera e da filha Shalom

Javier Miller Regalado (dir.) ao lado de sua mulher Miria Cervera e da filha Shalom (Foto: EFE/Javier Roibás Veiga)

Uma viagem sem muito planejamento, sem data para voltar e com uma filha de pouco mais de um ano é uma forma de vida para esta família que garante “não se preocupar com o amanhã” e só “conseguir dinheiro para chegar à próxima cidade”.

“Imagine que desde o Peru até o Rio de Janeiro eram US$ 3 mil em comida, gasolina, manutenção e pedágios para chegar”, calculou Javier, lembrando que ele e sua família entraram no Brasil “com US$ 2”.

Durante a travessia, eles passaram por situações difíceis, sobretudo quando enfrentavam algum problema mecânico ou quando o clima não ajudava. Mas eles “sempre” encontraram pessoas que os ajudaram e incentivaram a seguir em frente.

Javier lembrou que em plena floresta amazônica ocorreu um problema com “Don Julio”, e a família ficou quatro horas sem saber o que fazer e como solucionar o imprevisto. Nesse momento, apareceram vários índios, entre eles o cacique de uma tribo da região, que, após perguntar se tinham fome, lhes ofereceu comida e ajudou a ligar para a cidade mais próxima.

“Ele entrou, pegou um animal e nos alimentamos assim por dois dias”, contou Javier.

Durante o caminho, a família buscava uma “faísca” que desse “mais brilho” à viagem. Esta surgiu durante o último jogo de futebol entre Peru e Uruguai.

Objetivo de Javier é chegar a Washington após percorrer quase todos os países da América

Objetivo de Javier é chegar a Washington após percorrer quase todos os países da América (Foto: EFE/Javier Roibás Veiga)

Javier recordou que na noite do jogo começou a receber muitas mensagens de seus amigos, espantados com a atitude dos uruguaios que não vaiaram enquanto era tocado o hino peruano antes da partida. “O Uruguai fez algo que teve impacto no Peru: respeitou nosso hino. Isto ninguém fez”, disse.

Em razão desse gesto, surgiu o que hoje é o objetivo principal da viagem: o projeto “Eu respeito seu hino”, que será promovido em toda a América.

Javier quer coletar um milhão de assinaturas, começando com o presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, a quem escreveu uma carta solicitando seu apoio nesta nova façanha pela convivência e o respeito entre os povos. Depois, ele pensa em procurar os demais presidentes e povos da América do Sul buscando apoio.

“Farei o mesmo com (o presidente da Argentina, Mauricio) Macri, com (a presidente do Chile, Michelle) Bachelet e com os peruanos, porque eles estão muito gratos”, planejou o criador da casa sobre rodas. /EFE

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