Gravações de ‘Velozes e Furiosos’ mudam rotina em Havana
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Gravações de ‘Velozes e Furiosos’ mudam rotina em Havana

Capital cubana é o palco do oitavo filme da saga; cidade tem trânsito e curiosos com celulares na mão tentando gravar alguma cena inédita da superprodução

Redação Internacional

29 Abril 2016 | 08h15

Ator Vin Diesel grava filme em Havana - Foto: Fernando Medina/AP

Ator Vin Diesel grava filme em Havana – Foto: Fernando Medina/AP

HAVANA – Com uma movimentação incomum na capital cubana e vários bloqueios de ruas, as gravações do novo filme da saga “Velozes e Furiosos” estão alterando a rotina de Havana, provocando engarrafamentos incomuns na cidade e reunindo grupos de curiosos atraídos pelas filmagens.

A gravação do oitavo filme da série – a primeira superprodução dos Estados Unidos a ser rodada na ilha em mais de 50 anos – mudou a paisagem da capital cubana, particularmente nos populosos bairros de Vedado, Centro Havana e Havana Velha, repletos de barreiras que impedem a passagem das pessoas, dos carros e os olhares curiosos.

Os mais afetados pela presença das equipes de “Velozes e Furiosos” foram, sem dúvida, os motoristas, que tiveram que transitar por vias alternativas por causa do fechamento de importantes ruas da cidade e avenidas como a emblemática Malecón, transformada em pista de corrida em um local onde esse tipo de situação não é nada comum.

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“Isso nunca foi visto aqui. Acabaram com a nossa tranquilidade”, afirmou Yani, uma funcionária pública que revelou ter sido um “pesadelo” usar o serviço de ônibus porque todos os trajetos comuns foram mudados por causa do filme.

Mas, apesar do incômodo, Yani reconheceu que as gravações foram uma diversão para os moradores de Centro Havana, todos de celular na mão para tentar captar alguma imagem secreta do filme em uma região na qual a imprensa não teve acesso.

“É muito louco! Há pessoas reclamando porque estão chegando tarde do trabalho, às vezes não sabem ondem vai ser a filmagem e fecham as ruas por um momento, mas o cubano está adaptado a isso tudo”, disse Alain, um morador de Havana que buscou um ponto alto da Avenida Malecón para tentar ver alguma coisa das gravações.

Cubanos mudam rotina para acompanhar filmagens - Foto: Fernando Medina/AP

Cubanos mudam rotina para acompanhar filmagens – Foto: Fernando Medina/AP

Popular por suas coreografias espetaculares e cenas de ação que envolvem veículos de última tecnologia, o novo “Velozes e Furiosos” teve que se adaptar à realidade cubana. Pela ilha caribenha ainda circulam automóveis do século passado, especialmente os conhecidos como “almendrones”, americanos da década de 1950, símbolos da decadente frota automotora do país.

“No filme usaram ‘almendrones’ porque eles são nossos. Não se pode colocar uma Ferrari na Malecón”, explica Alain.

“É verdade que os bloqueios incomodam os motoristas, as pessoas que têm que chegar cedo ao trabalho, mas é parte do filme e só vai durar alguns dias. As pessoas tinham que levar na diversão, passar um bom momento”, disse Raydel, outro morador de Havana entusiasmado com a presença do filme na capital cubana.

A gravação do oitavo “Velozes e Furiosos” na ilha ocorre depois do restabelecimento das relações entre Cuba e EUA após mais de meio século de inimizade, situação que impediu que Hollywood chegasse antes ao país.

Outra produção. O filme “Papa: Hemingway in Cuba”, sobre a vida do famoso escritor americano, foi o primeiro que obteve permissão para ser gravado em Havana durante seis semanas em 2014, apesar do embargo, e graças à perseverança de seu diretor, Bob Yari, que negociou várias vezes com as autoridades cubanas e americanas.

Agora, na Cuba do “degelo” já é possível encontrar Vin Diesel, protagonista de “Velozes e Furiosos”, passeando por Havana com o pé no acelerador. E não é improvável dizer que a ilha, por sua proximidade, clima e técnicos altamente especializados, se transformará em um dos cenários prediletos para a indústria do cinema e da televisão americanas. Essa é a esperança de muitos cubanos, que aguardam que no futuro as gravações produzam empregos e tragam progresso à ilha. /EFE