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Harvey x Katrina: semelhanças e diferenças entre os fenômenos

Situação atual em Houston vem sendo comparada insistentemente ao que aconteceu em New Orleans em 2005; veja a comparação entre os dois casos

Redação Internacional

29 Agosto 2017 | 13h18

A população do Texas está sofrendo com grandes inundações após a passagem do Harvey, furacão que foi rebaixado recentemente para tempestade tropical. Ainda que o fenômeno não tenha se dissipado e continue arrasando diversas regiões, muitos têm insistido em compará-lo ao furacão Katrina, que matou cerca de 1,8 mil pessoas em 2005.

Veja abaixo as principais semelhanças e diferenças entre os dois casos.

Cidades


Katrina: Antes da tempestade, New Orleans era uma pequena cidade de aproximadamente 455 mil pessoas que viviam, em grande parte, abaixo do nível do mar, protegidos por um sistema de diques. Sua população jamais conseguiu se recuperar totalmente da devastação e conta hoje com menos de 400 mil habitantes.

Harvey: Houston é uma cidade conhecida por sua diversidade, dependência de veículos e baixo nível do mar. A região conta com mais de 2 milhões de habitantes, além de um sistema de vias aquáticas para gerenciar alagamentos.

Tempestades

Katrina: Chegou perto da fronteira entre Louisiana e Mississippi no dia 29 de agosto de 2005 como uma tempestade de categoria 3. Contudo, apesar de sua baixa classificação, acabou produzindo a maior onda de temporais da história dos EUA.

Harvey: Chegou à região de Rockport, no Texas, no dia 25 de agosto como uma tempestade de categoria 4, mas foi rapidamente rebaixada. Três dias depois, a expectativa era de que ela duraria mais algum tempo, o que levou o Serviço de Meteorologia Nacional (NWS, na sigla) a alertar a população que o fenômeno “não tem precedentes e os impactos são desconhecidos”.

Vítimas e destruição

Katrina: Um dos furacões mais mortíferos a atingir os EUA, ele foi responsável por 1.833 mortes. Causou mais de US$ 100 bilhões em danos, a maioria deles resultado de ventos fortes, tempestades e falha nos diques. Além disso, deixou mais de 3 milhões de pessoas na região sem eletricidade.

Harvey: Autoridades falam, até o momento, em 10 mortes no Texas desde que o fenômeno começou, e o número ainda pode aumentar. Chuvas fortes e inundações devem continuar até sexta-feira. Do lado econômico, a capacidade do Golfo do México quanto à produção de petróleo e gás não parece ter sido comprometida. No momento, cerca de 300 mil pessoas estão sem energia elétrica.

Chuvas

Katrina: As chuvas não eram o maior problema, e chegaram a atingir entre 127 mm e 254 mm em 48 horas.

Harvey: Causou um verdadeiro dilúvio, com cerca de 1.270 mm de chuvas previstas para os próximos dias (mais do que Houston recebe em um ano).

Retirada

Katrina: A retirada obrigatória de pessoas de New Orleans foi anunciada um dia antes da chegada da tempestade. Mais de 100 mil ainda ficaram presas na cidade. Poucas semanas depois, em um deslocamento caótico, aproximadamente 100 morreram na tentativa de sair de Houston para escapar do furacão Rita.

Harvey: Houston não chegou a pedir que os moradores deixassem a região, e agora insiste para os que puderem se abrigarem em suas próprias casas. Contudo, conforme as chuvas continuam a cair, áreas próximas, como Bay City, alertam as pessoas a deixarem o local.

Ajuda

Katrina: A tempestade deixou mais de um milhão de pessoas desabrigadas e destruiu cerca de 275 mil lares. Quase um milhão de famílias recebeu auxílio individual da Agência Federal de Gerenciamento de Emergência (Fema).

Harvey: Ainda não se sabe quantas pessoas serão forçadas a abandonar suas casas. Mas a maioria dos lares situados no caminho de Harvey não estão assegurados contra enchentes, de acordo com funcionários do Programa Nacional de Seguro contra Inundações. A Fema estima que 450 mil cidadãos provavelmente buscarão ajuda do governo.

Fugas

Katrina: O caos causado pelos deslocamentos e o pânico com relação a tumultos contribuíram para o surgimento de problemas envolvendo questões raciais, pobreza e falhas do governo impossíveis de ignorar. As fendas nos diques eram um desses problemas e representavam uma falha de proporções graves.

Harvey: O fenômeno deve aguçar o debate já existente sobre se Houston, cidade impulsionada pelo mercado imobiliário, foi sobrecarregada em razão do controle de inundações. Enquanto o Katrina expôs uma falha de construção, o Harvey – dependendo de como continuar – pode se tornar um alerta sobre a questão climática. / NYT