Histórias de vida a bordo do submarino San Juan
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Histórias de vida a bordo do submarino San Juan

Conheça alguns dos 44 tripulantes da embarcação argentina desaparecida no Atlântico desde o dia 15

Redação Internacional

23 Novembro 2017 | 15h26

MAR DEL PLATA, ARGENTINA – A primeira submarinista da América do Sul, um cabo que planeja se casar em duas semanas e um pai de família que recebe mensagens de amor da mulher: conheça alguns dos 44 tripulantes do submarino ARA San Juan desaparecido no Atlântico desde 15 de novembro.

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Mulher de armas

Eliana Krawczyk sonhava com ser engenheira industrial, mas uma tragédia familiar causou uma reviravolta em sua vida. Ela se tornou a primeira submarinista sul-americana e, agora, está a bordo do ARA San Juan.

Maria Krawczyk é a primeira submarinista da América do Sul; no ARA San Juan, tem a função de chefe de Armas (Ministerio de Defensa de Argentina/via REUTERS)

Maria Krawczyk é a primeira submarinista da América do Sul; no ARA San Juan, tem a função de chefe de Armas (Ministerio de Defensa de Argentina/via REUTERS)

Oriunda de Oberá, na província argentina de Misiones, Eliana conheceu o mar apenas aos 21 anos.

A morte de um irmão em um acidente e a perda da mãe, por um enfarte, mudaram sua vida. Ela se inscreveu na Escola Naval e, em 2012, tornou-se submarinista. Aos 35 anos, é a chefe de Armas do submarino.

Sobre sua vida embarcada e sobre sua condição de única mulher, diz se sentir à vontade. “Sempre vivi bem, e sempre gostei. Não tive nenhum freio, nem intervenção de ninguém. E nunca tive qualquer problema. Durmo com dois companheiros no mesmo camarote. Sou a única mulher a bordo e me sinto bem, contente e feliz”, contou ela, em uma entrevista.

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O comandante

O capitão de fragata Pedro Martín Fernández, de 45 anos, é o comandante do submarino. Nascido em Tucumán, no norte da Argentina, é casado e pai de três adolescentes.

Em 2 de março de 2015, mudou-se para a cidade costeira de Mar del Plata, 400 quilômetros ao sul da capital, base do San Juan e onde vive quase toda tripulação.

Desenhos feito por crianças em apoio aos tripulantes do ARA San Juan enfeitam grade da base da Marinha em Mar del Plata (AP Photo/Marina Devo)

Desenhos feito por crianças em apoio aos tripulantes do ARA San Juan enfeitam grade da base da Marinha em Mar del Plata (AP Photo/Marina Devo)

Na segunda-feira 6 de novembro, antes de zarpar de volta para Mar del Plata procedente de Ushuaia, 3.200 quilômetros ao sul de Buenos Aires, dirigiu uma viagem submersa do San Juan. Dela participaram autoridades do governo e do Judiciário da província de Tierra del Fuego.

Não é o único tucumano da tripulação. O cabo principal Luis Esteban García, de 31 anos, é seu conterrâneo.

Marinheiros no altar

O primeiro-cabo Luis Niz, de 25 anos, é esperado em Mar del Plata pela também primeiro-cabo Alejandra Morales. Está tudo pronto para o casamento deles, 7 de dezembro. Promovido em 2016, Niz foi destinado ao ARA San Juan. Nasceu em uma província sem litoral, La Pampa.

O tenente Renzo Martin Silva, de 32 anos, também deve se casar no ano que vem. Entrou para a Escola Naval aos 18 anos e sonhava com ser submarinista desde a infância em sua cidade natal San Juan, uma província colada na Cordilheira dos Andes. Vive com María Eugenia Ulivarri Rodi, militar como ele e sua futura esposa.

Papai Fernando

Fernando Santilli tem 35 anos e é submarinista desde 2010. Engenheiro de formação, deixou muito jovem sua província natal de Mendoza para buscar seu sonho de ser submarinista.

De pouco mais de um ano, seu filho Stefano aprendeu a dizer “papai” nesses últimos dias, contou sua mulher, Jessica Gopar, no Facebook.

“Oi Fernando. Aqui cada dia é um pouco mais duro. Há momentos de esperança e outros de angústia. Muitas pessoas rezam por você, não sabe quantas. Stefano aprendeu a dizer ‘papai’. Diga a ele, filho, diga-lhe que ele virá….”, acrescenta Jessica.

E pede ao comandante do ARA San Juan: “Faça o impossível para voltar à superfície. Tem 44 almas nas mãos. Que Deus faça um milagre. Eu te espero, meu amor. Até logo”.

À espera de um bebê

O capitão Mario Armando Toconás Oriundo, de 36 anos, ingressou na Marinha há 13 anos. Deixou a Patagônia para se instalar em Mar del Plata perto da base naval, para onde foi destinado. Pai de um garoto de oito anos, espera seu segundo filho. Sua companheira está grávida de quatro meses. / AFP

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