Infeliz por não conseguir ter um menino, indiana mata as filhas
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Infeliz por não conseguir ter um menino, indiana mata as filhas

Mulher tentou se suicidar em seguida, mas moradores a impediram; cultura do país favorece os filhos homens

Redação Internacional

10 Março 2015 | 09h54

Foto: Rafiq Maqbool/AP

Sociedade indiana valoriza filhos homens – Foto: Rafiq Maqbool/AP

NOVA DÉLHI – Uma mulher indiana matou as três filhas e depois tentou se suicidar porque estava deprimida por não conseguir ficar grávida de um menino, em uma sociedade na qual é notória a preferência pelas crianças do sexo masculino, informou nesta terça-feira, 10, a imprensa local.

Radha Devi, de 27 anos, tentou se suicidar na tarde de segunda-feira em Nova Délhi se pendurando em uma árvore, mas alguns pedestres a viram e conseguiram salvá-la, disseram fontes policiais às agências Indian Express e Ians.

A polícia encontrou no pé da árvore os corpos de suas três filhas de 8 meses, 3 anos e 8 anos, que ao que tudo indica foram estranguladas. Antes de matar as meninas, Devi ligou para o marido para contar sobre sua intenção, mas quando o homem chegou ao local as filhas já estavam mortas.

A mulher passava por um tratamento médico por depressão e ansiedade e narrou à polícia, no hospital para onde foi levada, que não era feliz por ser incapaz de engravidar de um filho homem.

Na Índia, a preferência pelos meninos ocorre porque o filho perpetua a linhagem, herda a propriedade e cuida de seus pais na velhice, enquanto, no caso das meninas, os progenitores devem pagar um grande dote à família do namorado.

Em razão disso, são praticados de maneira ilegal abortos seletivos e feticídios femininos.

O censo indiano de 2011 revelou que há 7,1 milhões de meninos a mais que meninas com idades entre 0 e 6 anos no país. No total da população indiana (de 1,2 bilhão de pessoas), há 940 mulheres para cada mil homens.

Segundo a ONG ActionAid, a Índia “perde a cada dia” cerca de 7 mil meninas que morrem antes de completar 6 anos, algumas porque são mortas logo após nascer, em uma sociedade que “em grande medida despreza a mulher”. /EFE

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