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Misterioso museu da Polícia de Londres abre as portas pela 1ª vez

Mostra com objetos que retratam 140 anos de história do crime na Grã-Bretanha estará em exibição até abril no Museu de Londres

Redação Internacional

08 Outubro 2015 | 10h45

LONDRES – Dois séculos após sua criação, o misterioso museu privado da Polícia Metropolitana londrina, que reúne objetos de alguns dos crimes mais conhecidos da Grã-Bretanha, abrirá as portas ao público pela primeira vez no Museu de Londres.

Desde 1875, a Scotland Yard guardou com cuidado provas e evidências que fizeram parte dos delitos mais notórios da história da Grã-Bretanha. Aos poucos, a polícia montou um museu para formar oficiais e detetives, ao qual apenas um seleto grupo de convidados teve acesso até então.

No entanto, a partir desta sexta-feira 9 e até o dia 10 de abril a exposição “O museu do crime da Scotland Yard” mostrará ao público armas usadas em assassinatos históricos e objetos que mudaram as operações policiais para sempre.

“Queremos que os visitantes entendam, após ver a exposição, que todos estes casos são reais, muitos deles bastante famosos, como o de Jack, o Estripador, e queremos lembrar às pessoas que houve vítimas envolvidas em todos estes crimes”, a curadora da exposição, Jackie Keily.

Para isso, o Museu de Londres, com o apoio da Polícia Metropolitana (conhecida como Scotland Yard) e do departamento contra o crime da prefeitura da cidade, selecionou cerca de 600 objetos significativos. “A polícia nos deu livre acesso aos objetos para escolher os que queríamos mostrar em nossa exibição, mas fomos assessorados pelo departamento de ética. Essa ajuda foi muito importante porque queríamos incluir as evidências adequadas”, acrescentou Jackie.

O museu ressaltou em comunicado que era fundamental “proteger as vítimas dos crimes” e não detalhar nenhum caso que tivesse ocorrido após 1975.

Armas brancas com resquícios de sangue, recortes de jornais, imagens em preto e branco e recriações em miniatura dão vida a 25 grandes crimes que a exibição mostra de forma cronológica.

Antes de chegar a esse espaço, os organizadores recriaram em duas salas o Museu do Crime original, como era o local quando começou a ganhar forma em meados do século 19. Nesses quartos a polícia guardava, entre outros objetos, uma pequena almofada branca bordada com pelo humano, cuja responsável, Annie Parker, compareceu mais de 400 vezes ao tribunal de Greenwich acusada de embriaguez.

A mostra também conta com a recriação de uma carta falsa que uma pessoa (acredita-se que tenha sido um jornalista) enviou em 1888 à Agência Central de Notícias da cidade em tinta vermelha e assinada por “Jack, o Estripador”, de onde o famoso esquartejador recebeu seu nome.

Entre abril de 1888 e fevereiro 1891, 11 mulheres foram brutalmente assassinadas na zona leste de Londres por um criminoso desconhecido. O pânico generalizado iniciou a maior investigação já feita pela polícia na história da Grã-Bretanha para encontrar o sanguinário assassino que nunca foi identificado, enquanto a imprensa competia em apuração para vender a história.

A exposição relata 140 anos de história do crime dividida em temas como terrorismo, espionagem, aborto (legalizado em 1967), fraude e tráfico de drogas. Entre os objetos mais significativos estão as máscaras utilizadas pelos irmãos Stratton, os primeiros criminosos a serem condenados na Grã-Bretanha por homicídio graças ao uso das impressões digitais, em 1905.

Outro destaque é uma pasta com uma seringa dentro que os irmãos Krays, mafiosos que controlavam cada esquina do leste de Londres nos anos 60, pretendiam utilizar contra uma testemunha, para impor a lei do silêncio. / EFE