Morangos a R$ 1.450 e melões a R$ 800: o luxo das frutas no Japão
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Morangos a R$ 1.450 e melões a R$ 800: o luxo das frutas no Japão

No país, com chuva em abundância e múltiplas verduras e plantas comestíveis ricas em nutrientes e vitaminas, frutas nunca foram consideradas 'alimento essencial', favorecendo criação de 'butiques' de luxo para este gênero alimentício

Redação Internacional

15 Maio 2017 | 11h18

TÓQUIO – Um morango de R$ 1.450, mangas e melões de R$ 800 e maçãs a R$ 50 são algumas das peculiaridades que podem ser encontrados nas “boutiques” de fruta no Japão, onde estes alimentos são considerados mais um objeto de desejo do que uma fonte de nutrientes.

As impecáveis vitrines e mostruários da quitanda Sembikiya, situada no térreo da luxuosa torre Nihonbashi Mitsui, protegem estes exclusivos produtos, que não estão ao alcance de todos os bolsos.

“Buscamos as melhores frutas do Japão e de todo o mundo para vendê-las”, afirmou orgulhoso Ushio Oshima, responsável pela divisão de planejamento e desenvolvimento da Sembikiya, enquanto exibe a joia da coroa – e peça mais cara -, um pequeno muskmelon, ou melão cantaloupe, de 27 mil ienes (R$ 800).

Oshima pertence à sexta geração de fruteiros da Sembikiya, fundada em 1834 por seu ancestral, um samurai, que começou vendendo frutas em Tóquio e se expandiu por todo o país, tornando-se o maior fornecedor de frutas de luxo do Japão.

Nenhum dos 30 funcionários da loja principal da Sembikiya passa um minuto de braços cruzados. Com música clássica de fundo, alguns vendedores recebem clientes, outros colocam nas frutas redes de proteção – não sem antes envolvê-las com um colorido papel de seda -, ou se certificam de que os produtos já situados nos expositores estejam perfeitos, sem nenhuma marca ou dano.

“Os japoneses são minuciosos e se preocupam com o aspecto exterior (…) e por isso sai caro”, defendeu Oshima.

A Sembikiya, que ostenta o título de quitanda mais antiga do Japão, é um exemplo que prova a importância das frutas de luxo no país do sol nascente.

As uvas “Ruby roman”, cultivadas unicamente na província de Ishikawa (oeste do Japão) e as mais cara do mundo, custam até 36 mil ienes (R$ 1.030) a unidade, ou 1,1 milhão de ienes (R$ 32 mil) o cacho. Esta variedade, produzida desde 2008, gera apenas 2.400 cachos ao ano: os mais “acessíveis” podem ser comprados por 100 mil ienes (R$ 2.900).

O morango “Bijin Hime” (“bela princesa” em português) tem tamanho similar ao de uma bola de tênis, embora suas dimensões não sejam a única coisa impressionante: para saborear uma unidade devem ser desembolsados exorbitantes 50 mil ienes (R$ 1.450).

A produção de frutas é muito seleta no Japão devido à sua particular característica geográfica – na qual predominam as montanhas e a costa – que permite usar somente 15% de sua superfície total para o cultivo.

Além disso, no país, onde chove com abundância e há múltiplas verduras e plantas comestíveis ricas em nutrientes e vitaminas, a fruta nunca foi considerada um “alimento essencial”, explicou Shigeyuki Sasaki, pesquisador do grupo Takasago, um dos líderes mundiais em sabores e aromas.

“A fruta sempre foi considerada um artigo de luxo, um artigo para dar de presente”, escreveu Sasaki em um estudo do Takasago.

Mas nem toda fruta é de “luxo” no Japão. O baixo consumo diário deste tipo de alimento – o Ministério da Agricultura afirma que o consumo por pessoa no país equivale à metade ao da União Europeia – faz com que os preços, em todo caso, surpreendam muitos estrangeiros que visitam o país.

Também não é preciso visitar uma destas “joalherias” de frutas para se surpreender; basta se aproximar de qualquer supermercado para ver melões a 3 mil ienes (R$ 85) e mangas a 5 mil ienes (R$ 140). / EFE

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