O futuro do Estado Islâmico sem o líder Baghdadi
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O futuro do Estado Islâmico sem o líder Baghdadi

Morte do chefe do grupo seria mais uma perda para os jihadistas, mas não representaria sua derrota por completo já que eles contam com ferramentas que ajudam em sua sobrevivência

Redação Internacional

11 Julho 2017 | 10h35

O Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH), que monitora o conflito sírio a partir de Londres, afirmou nesta terça-feira, 11, ter recebido a confirmação de que o líder do grupo jihadista Estado Islâmico (EI), Abu Bakr al-Baghdadi, foi morto, mas ainda não se sabe as circunstâncias em que ela aconteceu.

Em junho, os russos investigavam se um dos ataques aéreos contra alvos do EI no sul da cidade de Raqqa havia matado Baghdadi.

Abu Bakr al-Baghdadi já foi dado como morto em outras ocasiões e a discussão sobre um possível sucessor na liderança do EI já ocorre há algum tempo (Foto: REUTERS/Social Media Website via Reuters)

Abu Bakr al-Baghdadi já foi dado como morto em outras ocasiões e a discussão sobre um possível sucessor na liderança do EI ocorre há algum tempo (Foto: REUTERS/Social Media Website via Reuters)

A morte do líder do autoproclamado califado seria mais uma perda para o grupo, depois que o Exército iraquiano conseguiu reconquistar a cidade de Mossul no fim de semana.


Segundo a rede CNN, quanto ao futuro do EI diante da suposta morte de seu chefe, analistas acreditam que ela não faz muita diferença com relação à situação nos campos de batalha na Síria e no Iraque, já que o grupo é maior do que o seu líder. Um exemplo é a Al-Qaeda, que sobreviveu à morte de Osama bin Laden.

Baghdadi já foi dado como morto em outras ocasiões e a discussão sobre um possível sucessor na liderança do EI ocorre há algum tempo. Seja quem for, ele enfrentará uma batalha na qual sua equipe está em processo de recuo.

A derrota do EI tanto no Iraque quanto na Síria tem se acelerado nos últimos meses. Um estudo recente revelou que o grupo perdeu 60% de seu território e 80% de sua receita em dois anos. A maioria dos militantes restantes está fugindo, procurando novos refugiados para recrutar ou se escondendo.

Mesmo com Baghdadi possivelmente morto, o grupo não se dará por vencido. Os jihadistas ainda contam com uma ideologia que consegue atrair simpatizantes e inspirar jovens muçulmanos no Ocidente, com células capazes de cometer ataques terroristas de grandes proporções, e com uma marca que ainda é adotada por extremistas em países como Egito, Líbia, Afeganistão e Filipinas.

Diferente da Al-Qaeda, o Estado Islâmico sempre visou a criação e a administração de um califado, e a obediência de todos os muçulmanos ao líder principal. Independente do que acontecer, a ideia do grupo é sempre “sobreviver e expandir”.