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O que é o Nafta e o que Trump pretende mudar nele

Redação Internacional

16 Agosto 2017 | 05h00

Em vigor desde 1994, o Nafta é um dos mais importantes de acordos de livre-circulação de mercadorias e serviços para os 478 milhões de habitantes dos três países norte-americanos. Foi negociado durante a presidência do republicano George Bush pai e assinado por seu sucessor democrata Bill Clinton.

O Nafta, que foi precedido desde 1989 pelo Tratado de Livre Comércio entre Canadá e Estados Unidos, suprimiu de forma progressiva a maior parte das tarifas alfandegárias para as mercadorias com certificados de origem. O acordo também eliminou barreiras aos investimentos, permitindo às empresas de um país signatário instalar-se mais facilmente nos outros dois países.

Os direitos aduaneiros foram suprimidos totalmente em 2008, exceto para algumas mercadorias, como a madeira para construção, uma fonte de conflito entre Estados Unidos e Canadá há várias décadas.


Os benefícios do Nafta 

Até a chegada de Trump à política americana, os três países se orgulhavam do acordo e elogiavam seus benefícios, especialmente em matéria de empregos e investimentos. Nos primeiros 15 anos de vigência do tratado, foram criados 40 milhões de empregos, 25 milhões deles nos Estados Unidos, segundo a secretaria do Nafta. O Canadá foi o país que obteve os investimentos mais significativos, seguido por Estados Unidos e México.

 Explosão dos intercâmbios comerciais 

Com a supressão das tarifas alfandegárias, as trocas comerciais dispararam e agravaram o desequilíbrio entre México e Estados Unidos, mas com o benefício para os três países de ter aumentado os volumes das exportações e a criação de empregos.

As exportações mexicanas para os Estados Unidos se multiplicaram mais de sete vezes entre 1993 e 2016, e foram triplicadas com o Canadá.

O saldo comercial dos Estados Unidos com o México passou de um superávit de 1,6 bilhão de dólares antes do Nafta a um déficit de mais de 60 bilhões de dólares em 2016, segundo dados oficiais dos EUA.
Mesmo assim, as exportações dos Estados Unidos para o México somaram no ano passado 212 bilhões de dólares contra 42 bilhões em 1993.

O déficit comercial do Canadá com o México passou de 2,2 bilhões de dólares em 1993 a um estimado de 7,5 bilhões em 2016, segundo cálculos do instituto canadense de estatísticas.

Estrutura do intercâmbio México-EUA

O deslocamento de fábricas dos EUA para o México modificou a dinâmica das trocas bilaterais. Os bens de alto valor agregado são exportados pelos Estados Unidos para o México, mas também importados deste país, como é o caso de computadores e aparelhos eletrônicos.

Criticadas pelo presidente Trump, as fabricantes automobilísticas americanas e de materiais de transporte produzem do outro lado da fronteira.

O comércio de produtos agrícolas é equilibrado entre ambos os países e são apenas deficitários para os Estados Unidos no setor têxtil e de roupas.

 Estados Unidos e Canadá ainda são mais ricos 
O México pôde criar empregos com a implementação do Nafta e receber empresas americanas e canadenses, como as automobilísticas e empresas de aeronáutica, mas sua riqueza nacional cresceu mais lentamente que a de seus sócios.

O PIB mexicano por habitante se multiplicou por 1,6 entre 1993 e 2015, segundo o Banco Mundial. Este indicador de riqueza se multiplicou por mais de 2 tanto nos Estados Unidos como no Canadá.

O que Trump quer mudar

1 – Os Estados Unidos querem ampliar suas exportações de laticínios, cereais e vinho para os países do Nafta

2 – Trump pretende convencer México e Canadá a liberalizar o comércio de serviços de telecomunicação e compras online

3 – Outro ponto que deve ser levantado é a “manipulação de moeda”, que, segundo Trump, prejudica os EUA

4– Washington quer também remodelar os sistema que regula as disputas entre os sócios do bloco

5- Por fim, os EUA querem mais acesso para bancos americanos no México e no Canadá

 

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