O que se sabe sobre as eleições na França até agora
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O que se sabe sobre as eleições na França até agora

Candidatos que disputarão segundo turno devem concentrar suas campanhas em temas como economia e terrorismo

Redação Internacional

24 Abril 2017 | 12h17

O centrista Emmanuel Macron e a candidata de extrema direita Marine Le Pen foram os mais votados dentre os 11 candidatos que concorreram no primeiro turno das eleições na França e disputarão o segundo turno no dia 7 de maio.

O resultado representa um choque histórico na vida partidária do país, com a derrota de partidos tradicionais. Veja abaixo as principais informações sobre o pleito até agora, segundo informações do jornal The New York Times.

Segundo Ministério do Interior da França, Emmanuel Macron conta com mais de 23% dos votos (Foto: REUTERS/Benoit Tessier)

Segundo Ministério do Interior da França, Emmanuel Macron conta com mais de 23% dos votos (Foto: REUTERS/Benoit Tessier)

 

Macron alerta contra “ameaça de nacionalistas”

Após abandonar partidos tradicionais há algum tempo e fazer campanha a favor da União Europeia (UE), Macron disse que quer ser o “presidente dos patriotas para enfrentar a ameaça dos nacionalistas”. A afirmação se refere diretamente a Le Pen, apesar de o candidato não ter mencionado o nome da adversária em seu discurso no domingo. O centrista tentou ampliar o apelo de sua proposta para a economia da França e a permanência do país no bloco europeu ao abordar os eleitores que apoiam os dois principais partidos: Republicanos, de Fillon, e Socialista, de Hamon. “O desafio desta noite não é votar contra alguém”, afirmou Macron. “O desafio é optar por romper com o sistema que tem sido incapaz de administrar os problemas do nosso país por mais de 30 anos.”

Le Pen fala em resultados “históricos”

A candidata de extrema direita agradeceu aos seus eleitores da pequena cidade de Hénin-Beaumont, no nordeste da França, e disse que “esse resultado é histórico”. Ela não mencionou o nome de seu rival no segundo turno, mas se referiu ironicamente a ele como “herdeiro” do atual presidente impopular, François Hollande. Ela disse que “está na hora de libertar o povo francês” das “elites arrogantes” que querem governá-lo, e ressaltou que o principal problema das eleições é a “globalização descontrolada”, a qual ela acusa de estar ameaçando os franceses e sua cultura.

Macron consegue apoio financeiro de Fillon

Após se declarar derrotado nas eleições, o candidato conservador disse a seus eleitores que, como “o extremismo pode apenas trazer desgraça e divisão para a França”, ele votará em Macron no segundo turno. Apesar de ter potencial para conseguir mais votos para o centrista, Fillon é considerado cauteloso por partidários de direita e esquerda. Pelos esquerdistas, em razão de suas ideias a favor do livre comércio e apoio à União Europeia; e pelos direitistas, por seu apoio à imigração.

Socialistas também devem apoiar Macron

O primeiro-ministro francês, Bernard Cazeneuve, pediu que os franceses votem em Macron “para vencer a Frente Nacional e frustrar seus projetos terríveis de retrocesso e divisão da França”. O premiê qualificou o projeto de Le Pen como “perigoso e sectário”, e afirmou que iria “empobrecer, isolar e dividir” o país. O socialista Hamon também declarou apoio ao centrista e disse: “Esse noite é dolorosa. Amanhã será fértil. Não prometo isso a vocês, estou pedindo isso a vocês”.

Problemas

Reorganizar a economia da França tem sido um dos temas mais abordados durante a campanha dos candidatos e deve ter destaque também na disputa do segundo turno. Além disso, segurança doméstica, terrorismo e imigração muçulmana devem dominar o debate que acontecerá dentro de alguns dias.