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Para agradar líder chinês, Macron doa cavalo da guarda de elite de Paris

Presente do presidente francês foi resposta à 'diplomacia do panda' praticada por Pequim

Redação Internacional

09 Janeiro 2018 | 10h44

XIAN, CHINA – Para ganhar a simpatia de Xi Jinping, o presidente francês, Emmanuel Macron, fez uso de uma prática diplomática muito conhecida do líder chinês: a diplomacia dos bichos. A China é conhecida por praticar a “diplomacia do panda”, ao enviar pandas indígenas gigantes a outros países como um símbolo de relações diplomáticas próximas.

Macron, o presidente mais jovem a assumir o poder na França desde Napoleão, é um admirador da diplomacia leve e do uso de símbolos e história para conquistar seus colegas. Ao iniciar seu giro pela China, ele ofereceu a Xi um cavalo aposentado da guarda de elite francesa.

Vesuvius é um imponente cavalo marrom de oito anos de idade. Ele está em quarentena no momento para poder ser entregue ao líder chinês. A escolha do presente foi feita após Xi demonstrar sua fascinação pelos 104 cavaleiros que o escoltaram durante sua última visita a Paris, em 2014.


Essa é a primeira vez que a França oferece um de seus cavalos de elite como presente, “um gesto diplomático sem precedentes” na história francesa, segundo Macron. A decisão também foi uma resposta à “diplomacia do panda”, afinal a mulher do presidente francês, Brigitte, se tornou tutora de um panda dado pela China a um zoológico perto de Paris.

Outros casos. Os britânicos também já foram presenteados por pandas da China. Em 2011, os pandas Tian Tian e Yang Guang (apelidados de Sweetie e Sunshine ao chegarem às terras britânicas) chegaram a Edimburgo.

Na verdade, os pandas oferecidos pela China não são exatamente presentes. Os acordos geralmente estabelecem um prazo de 10 anos e pagamentos anuais de empréstimo a um centro de preservação dos animais na China.

Outros animais também já foram presenteados entre autoridades. A rainha Elizabeth II, por exemplo, foi presenteada com animais várias vezes ao longo do seu reinado. Uma exposição realizada pelo Palácio de Buckingham listou todos eles: diversos cavalos; dois cisnes do Canadá; dois hipopótamos da Libéria; quatro cacatuas, dois wallabies (semelhantes a cangurus) e uma ave do Zoológico Taronga, em Sydney; e até mesmo um bicho-preguiça e duas onças do Brasil.

O presidente russo, Vladimir Putin, ao comemorar seu 65.º aniversário, recebeu um presente muito especial do líder do Turcomenistão, Gurbanguly Berdimuhamedov: um filhotinho de cachorro da raça pastor-da-ásia-central.

O ex-presidente da França François Hollande recebeu um camelo de autoridades do Mali em 2013 como uma forma de agradecimento às tropas francesas enviadas para intervir contra os militantes do grupo jihadista Estado Islâmico (EI).

Em 2005, o ex-presidente americano George W. Bush ganhou um filhote de pastor de dois meses do então líder da Bulgária, Georgi Parvanov. O valor do animal era estimado em US$ 430 na época. Já a chanceler alemã, Angela Merkel, foi presenteada com uma galinha da sorte durante uma visita em 2007 à Libéria. / AP e REUTERS