Para entender: Décadas de relações caóticas entre Pyongyang e Seul
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Para entender: Décadas de relações caóticas entre Pyongyang e Seul

Canal de comunicação entre os dois países foi restabelecido nesta quarta-feira; primeira vez em que as nações romperam o contato foi em 1950

Redação Internacional

03 Janeiro 2018 | 11h07

SEUL – A história do “telefone vermelho”, meio de comunicação entre as duas Coreias – que foi restabelecido nesta quarta-feira, 3 -, reflete fielmente as décadas de relações caóticas entre Pyongyang e Seul, que ainda estão tecnicamente em guerra.

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Todas as comunicações entre os dois lados foram cortadas em 1950, no início da guerra que devastou a Coreia e dividiu a península. Foi preciso esperar até agosto de 1972 para que fosse estabelecida esta linha telefônica vermelha entre o Norte e o Sul para a comunicação entre os dois lados inimigos.

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A reabertura do

A reabertura do “telefone vermelho” ocorre após uma oferta de diálogo de Seul, em resposta a um gesto pacífico do líder norte-coreano, Kim Jong-un (Foto: Yonhap via AP)

Um telefone e um aparelho de fax foram instalados em Panmunjom, vilarejo na fronteira entre os dois países onde foi assinado o armistício da Guerra da Coreia (1950-1953). Desde então, o local foi palco de negociações ocasionais entre as partes.

Mas em 1976, o Norte decidiu unilateralmente cortar a linha após o “Incidente do Machado” de 18 de agosto, quando soldados norte-coreanos mataram a machadadas dois oficiais americanos que acompanhavam trabalhadores encarregados de derrubar uma árvore em Panmunjom.

O telefone foi colocado em serviço em 1980, após um acordo em vista de discussões raras entre os primeiros-ministros. Desde então, foi repetidamente cortado e reativado.

Em 2010, Pyongyang voltou a cortar todas as comunicações quando Seul adotou sanções comerciais para protestar contra o disparo de um torpedo – por um submarino norte-coreano –  contra a corveta sul-coreana Cheonan, que matou 46 pessoas.

A linha foi posta em serviço no ano seguinte, depois cortada em 2013 durante as tensões relacionadas ao terceiro teste nuclear norte-coreano.

Todos os canais oficiais de comunicação foram novamente rompidos em fevereiro de 2016 por Pyongyang depois que Seul decidiu unilateralmente fechar a zona industrial intercoreana de Kaesong, para protestar contra o quarto teste nuclear do Norte.

A guerra de 1950-1953, que matou milhões de pessoas, terminou em um armistício, não em um tratado de paz. Por esta razão, os dois vizinhos ainda estão tecnicamente em guerra.

A reabertura nesta quarta-feira do “telefone vermelho” ocorre após uma oferta de diálogo de Seul, em resposta a um gesto pacífico do líder Kim Jong-un, que falou sobre uma possível participação norte-coreana nas Olimpíadas de Inverno, que começam em fevereiro na Coreia do Sul. / AFP