Para entender: O que é uma intifada?
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Para entender: O que é uma intifada?

Rebelião popular palestina foi convocada nesta quinta-feira pelo líder do movimento islamista Hamas; relembre o contexto histórico dos outros confrontos com os israelenses

Redação Internacional

07 Dezembro 2017 | 13h11

O chefe político do movimento islamita Hamas,  Ismail Haniyeh, convocou os palestinos a organizar uma terceira intifada, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reconhecer Jerusalém como capital israelense. Haniyeh classificou a decisão dos EUA de “agressão a nosso povo e guerra contra nossos santuários”.

+ Conheça o posicionamento da comunidade internacional sobre Jerusalém


Segundo ele, o levante deverá começar na sexta-feira, 8. “Amanhã, dia 8 de dezembro, é um dia de ira e o começo de uma nova intifada, chamada a ‘liberação de Jerusalém’. Queremos que a rebelião dure e continue para que Trump lamente essa decisão”, declarou.

Palestinos protestam na Cisjordânia contra decisão de EUA reconhecerem Jerusalém como capital de Israel (AFP PHOTO / Thomas COEX)

Palestinos protestam na Cisjordânia contra decisão de EUA reconhecerem Jerusalém como capital de Israel (AFP PHOTO / Thomas COEX)

O Hamas é considerado por Israel e Estados Unidos uma organização terrorista. O movimento não reconhece a existência de Israel e seus conflitos com o país desencadearam conflitos como a Segunda Intifada, entre 2000 e 2005.

• O que é intifada? 

A palavra intifada significa “rebelião popular palestina”.

• Quando foi a primeira? 

O termo foi muito usado em alusão à revolta iniciada em dezembro de 1987, que durou até 1993. Nesse período, os palestinos se revoltaram contra o Estado de Israel em uma série de protestos violentos caracterizados pelo uso de armas simples, como pedras e paus.

• A Segunda Intifada

A mais recente intifada ocorreu entre 2000 e 2005. Em julho de 2000, em Camp David (EUA), o líder palestino Yasser Arafat e o premiê israelense Ehud Barak se reuniram para fazer um acordo visando resolver questões mais delicadas, mas não obtiveram sucesso. No mesmo ano, teve início uma nova rebelião popular palestina contra Israel. A partir de 2002, intensificaram-se os atentados terroristas e ataques suicidas organizados por grupos extremistas contra Israel.

Como consequência, os israelenses invadiram áreas palestinas autônomas e cercaram a sede de Arafat em Muqata, onde o líder palestino permaneceu até sua morte, em 2004. Em 2005, Israel, por iniciativa do premiê Ariel Sharon, coordenou um amplo plano de retirada de assentamentos judaicos da região da Faixa de Gaza.

• Quais países têm embaixadas em Jerusalém?

Antes da anexação de Jerusalém Ocidental em 1980 e das resoluções da ONU que a condenam, 13 países instalaram suas embaixadas em Jerusalém: Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guatemala, Haiti, Holanda, Panamá, Uruguai e Venezuela. Depois das resoluções de 1980, esses países voltaram a estruturá-las em Tel-Aviv. As de Costa Rica e El Salvador ficaram em Jerusalém entre 1984 e 2006.

• Jerusalém: conflito histórico

Os palestinos representam cerca de um terço da população da cidade e a reivindicam como capital de seu futuro Estado. Para os palestinos, a cidade também conta com um local religioso essencial: a Esplanada das Mesquitas, situada na Cidade Velha. O lugar, segundo o Islã, é onde o profeta Maomé subiu aos céus. Este é o terceiro local mais sagrado para os muçulmanos.

Em 1947, foi aprovado pela ONU um plano que previa a divisão do território ocupado pelos palestinos em três partes: um Estado árabe, um Estado judeu e uma Jerusalém sob controle internacional. O projeto foi aceito por dirigentes sionistas, mas acabou rejeitado por líderes árabes.

Após a partida dos britânicos e a primeira guerra entre israelenses e árabes, foi criado em 1948 o Estado de Israel. No ano seguinte, Jerusalém Oriental foi escolhida para ser a capital do país. A parte norte oriental da cidade permaneceria sob controle da Jordânia.

Após a Guerra dos Seis Dias, em 1967, Israel anexou a parte oriental de Jerusalém, proclamando-a sua capital. Uma lei israelense aprovada em 1980 declarou Jerusalém capital “eterna e indivisível” do país. A decisão não foi reconhecida pela comunidade internacional, que considera a parte leste da região ocupada pelos israelenses.

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