Para entender: Panmunjom, o ponto de encontro de soldados e negociadores coreanos
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Para entender: Panmunjom, o ponto de encontro de soldados e negociadores coreanos

Cidade da Zona Desmilitarizada (DMZ) recebeu nesta terça-feira os representantes de Pyongyang e Seul para as primeiras conversas entre os dois países desde dezembro de 2015

Redação Internacional

09 Janeiro 2018 | 09h48

SEUL – Em meio a uma fileira de cabanas de cor azul, na última fronteira da Guerra Fria, entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul, soldados de ambos os lados se encaram. Panmunjom, a cidade da Zona Desmilitarizada (DMZ), onde os representantes dos dois países vizinhos negociam nesta terça-feira, 9, é o tradicional ponto de contato de sua fronteira comum, mas também a materialização dos efeitos duradouros da Guerra da Coreia (1950-1953).

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Milhões de coreanos morreram nesse conflito, que terminou com um armistício assinado em Panmunjom, mas não com um tratado de paz. Desta forma, as duas Coreias ainda estão tecnicamente em guerra.

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Ao contrário do que o nome sugere, a DMZ é uma das fronteiras mais militarizadas do mundo, cheia de torres de controle e minas terrestres (Foto: AFP PHOTO / KOREA POOL)

Ao contrário do que o nome sugere, a DMZ é uma das fronteiras mais militarizadas do mundo, cheia de torres de controle e minas terrestres (Foto: AFP PHOTO / KOREA POOL)

Ao contrário do que o nome sugere, a DMZ é uma das fronteiras mais militarizadas do mundo, cheia de torres de controle e minas terrestres. Panmunjom é o único lugar na região onde ambos os lados se veem. Nesse ponto, a fronteira é materializada apenas por uma demarcação de cimento.

Já houve inúmeros incidentes dramáticos. Em novembro, um soldado norte-coreano correu para o Sul em meio a uma chuva de balas de seus camaradas, em uma deserção pouco frequente.

No entanto, esta não foi a primeira vez que um incidente semelhante ocorreu em Panmunjom. Um dos mais impressionantes foi em 1984, quando um estudante russo vindo de Moscou atravessou a fronteira, causando uma troca de tiros que durou 30 minutos e deixou quatro mortos. Ele saiu ileso.

Em 1967, houve outro tiroteio, quando um veterano jornalista da agência de notícias oficial norte-coreana KCNA desertou ao cobrir as negociações militares. Em 1976, soldados da Coreia do Norte mataram a machadadas dois soldados americanos que podavam uma árvore próxima, o que levou ao temor de uma generalização do conflito.

Visitas

Os presidentes americanos que visitam a Coreia do Sul frequentemente vão à DMZ, em um gesto simbólico do compromisso de Washington com a defesa de Seul. O mau tempo fez com que o presidente americano, Donald Trump, desistisse de uma visita surpresa à região em 2017, enquanto a Casa Branca descrevia a viagem como um “clichê”.

O líder norte-coreano, Kim Jong-un, fez uma visita rara a Panmunjom em 2012, e a imprensa estatal publicou fotos nas quais ele foi visto de frente para o Sul com binóculos em um momento de crescentes tensões.

Ao longo dos anos, Panmunjom tornou-se uma grande atração turística para os estrangeiros que viajam para a Coreia do Sul. Antes de começar a tirar fotos do lugar, os visitantes são convidados a não fazer nada que possa incomodar os soldados norte-coreanos.

“É muito triste ver um país tão dividido”, disse Julia Ahn, estudante de 24 anos de Nova York. “É uma informação interessante, mas difícil de digerir.”

As conversações nesta terça-feira, as primeiras desde dezembro de 2015, são realizadas na Casa da Paz, no lado Sul da “zona neutra”. O Norte também dispõe de um local para sediar negociações: Tongilgak.

O Norte e o Sul estão tão divididos que os cidadãos comuns não têm conexões telefônicas diretas entre eles. No entanto, os dois edifícios estão conectados a Seul e a Pyongyang para que as negociações possam ser controladas de perto pelas duas capitais. / AFP