Para Lembrar: coro do Exército Vermelho, um símbolo da Rússia no mundo
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Para Lembrar: coro do Exército Vermelho, um símbolo da Rússia no mundo

Parte das pessoas que estavam a bordo do avião militar russo que caiu no Mar Negro integrava o grupo

Redação Internacional

25 Dezembro 2016 | 20h44

Entre as 92 pessoas que viajavam a bordo do avião militar russo que caiu neste domingo, 25, no Mar Negro, ao menos 60 eram membros do coro do Exército Vermelho, um símbolo da Rússia que recebe aplausos no mundo todo.

Fundado em 1928, o Conjunto Alexandrov, conhecido em suas turnês como o coro do Exército Vermelho, reúne cerca de 200 cantores, músicos e dançarinos.

Diretor do coro do Exército Vermelho, Valeri Khalilov, estava no avião - Foto: MAXIM SHIPENKOV / EFE

Diretor do coro do Exército Vermelho, Valeri Khalilov, estava no avião – Foto: MAXIM SHIPENKOV / EFE

Seu repertório tem mais de duas mil obras – canções folclóricas, composições em homenagem à URSS, música sacra e alguns sucessos internacionais -, que interpretam com suas vozes potentes, acompanhadas de coreografias repletas de acrobacias.

O conjunto, um dos poucos que se apresentava no exterior durante a época soviética, também fez centenas de concertos na URSS, gravou dezenas de discos e se impôs como uma presença habitual nas festas públicas.

Durante a 2.ª Guerra, seus músicos não descansavam. Fizeram mais de 1.500 apresentações para os soldados soviéticos em zonas de combate e nos hospitais.

Seu fundador, o general e compositor Alexandre Alexandrov, dirigiu o coro durante 18 anos, e foi sucedido pelo seu filho Boris, que liderou o conjunto entre 1946 e 1987.

Seu diretor atual, Valeri Khalilov, estava no avião que caiu neste domingo no Mar Negro quando se dirigia à base aérea russa de Hmeimim, perto de Latakia, no noroeste da Síria, onde iam celebrar o Ano Novo com os soldados.

Perda. Khalilov “fez uma grande contribuição à cultura contemporânea como maestro e compositor”, declarou a vice-premiê russa Olga Golodets à agência oficial TASS, qualificando sua morte de “perda irreparável”.

“É uma grande injustiça”, afirmou o pianista Denis Matsuyev, que lamentou a perda de um “maestro excelente”. “O Conjunto Alexandrov é um cartão de visita da cultura russa”, acrescentou, segundo a agência pública Ria-Novosti.

Ovacionado pelo público durante suas numerosas turnês em mais de 70 países, tanto na Europa como na Ásia, o coro recebeu em 1935 a Ordem da Bandeira Vermelha, um dos maiores reconhecimentos soviéticos, por seus “méritos excepcionais na cultura”.

“O Conjunto Alexandrov é um dos melhores do mundo. Sempre se apresentava em zonas de conflito (…). É uma terrível tragédia”, disse Elena Chtcherbakova, diretora artística do Ballet Igor Moiseyev, à Ria-Novosti.

O coro do Exército Vermelho cantou para tropas em diversas zonas de combate, como Afeganistão, Iugoslávia ou Chechênia. “Eles iam para a Síria com uma grande missão, uma missão de paz”, disse o primeiro-ministro russo, Dimitri Medvedev. “É impossível aceitar essa perda”, acrescentou. /AFP