Pepsi se desculpa após acusação de que teria banalizado movimento Black Lives Matter em comercial
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Pepsi se desculpa após acusação de que teria banalizado movimento Black Lives Matter em comercial

Ativistas alegam que imagens veiculadas pela empresa são exatamente o oposto do que acontece em manifestações reais, marcadas pela violência dos policiais

Redação Internacional

06 Abril 2017 | 12h39

A Pepsi se desculpou pelo comercial por qual foi acusada de usar a imagem do movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam) para fins publicitários, após receber inúmeras críticas de pessoas que alegam que a empresa teria banalizado os protestos contra o assassinato de negros pela polícia americana.

“A Pepsi tentou enviar uma mensagem global de união, paz e entendimento. Claramente, perdemos a oportunidade e pedimos desculpas”, disse a companhia em um comunicado divulgado na quarta-feira 5. “Não tínhamos a intenção de tirar proveito de nenhum problema sério. Estamos retirando o conteúdo do ar e interrompendo lançamentos.”

No comercial, uma manifestante branca oferece uma Pepsi a um policial e ação é recebida positivamente pelos participantes do protesto (Foto: REUTERS/Jim Young/Illustration)

No comercial, uma manifestante branca oferece uma Pepsi a um policial e ação é recebida positivamente pelos participantes do protesto (Foto: REUTERS/Jim Young)

O comercial, publicado no YouTube na terça-feira 4, mostra jovens em uma manifestação segurando cartazes com mensagens como “Junte-se à conversa”. No vídeo, os manifestantes sorriem e se abraçam. Em um determinado momento, uma manifestante branca – interpretada pela modelo Kendall Jenner – oferece uma Pepsi a um policial, o que leva à aprovação das pessoas que participam do protesto e faz o agente sorrir.

A empresa retirou o vídeo de seu canal oficial, mas outras páginas ainda o mantém no ar. Veja abaixo.

Segundo ativistas, a situação é exatamente o oposto do que realmente acontece, já que esses protestos costumam ser marcados pela brutalidade policial com relação aos manifestantes.

Elle Hearns, diretor executivo do Instituto Marsha P. Johnson e ex-organizador do Black Lives Matter, disse que o comercial “menospreza os sacrifícios que as pessoas fizeram ao longo da história ao participar de manifestações”. “Essa não é a realidade de nossas vidas. Isso não é o que acontece quando se toma uma decisão ousada.”

O Black Lives Matter nasceu como slogan depois da absolvição de George Zimmerman da acusação de assassinato de Trayvon Martin, na Flórida, um adolescente negro desarmado. Hoje, são mais de 30 grupos atuando sob o nome do movimento, e milhares de participantes se identificam com sua causa. / THE NEW YORK TIMES