Perfil: George Weah, de estrela africana do futebol a presidente da Libéria
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Perfil: George Weah, de estrela africana do futebol a presidente da Libéria

Astro do PSG e do Milan - e único africano a conquistar a Bola de Ouro - saiu dos bairros periféricos da Monróvia para se transformar em estrela internacional do futebol nos anos 90; nesta quinta, fez história novamente e foi eleito presidente do país

Redação Internacional

28 Dezembro 2017 | 18h05

MONRÓVIA – George Weah saiu dos bairros periféricos de Monróvia, capital da Libéria, para se transformar em uma estrela internacional do futebol nos anos 90. Nesta quinta-feira, 28, ele fez história e realizou outro sonho: foi eleito presidente da Libéria, país traumatizado pela guerra civil.

Ex-melhor do mundo, George Weah é eleito presidente da Libéria

Aos 51 anos, o ex-atacante do PSG, da França, e do Milan, da Itália, ganhou com folga a votação no segundo turno para as eleições presidenciais no país, com 61,5% dos votos, disputada contra o atual vice-presidente, Joseph Boakai.

Ex-jogador de futebol George Weah venceu disputa presidencial na Libéria (AFP PHOTO / Zoom DOSSO)

Ex-jogador de futebol George Weah venceu disputa presidencial na Libéria (AFP PHOTO / Zoom DOSSO)

Único africano a ganhar a Bola de Ouro, em 1995, Weah esteve ausente de seu país durante a guerra civil que deixou 250 mil mortos entre 1989 e 2003. Weah é casado com Clar Weah e seu filho, Timothy, assinou um contrato profissional com o PSG em julho.

Ele entrou no mundo político no fim do conflito e, em 2005, foi candidato à presidência pela primeira vez – naquela ocasião, a eleição foi vencida por Ellen Johnson Sirleaf, primeira mulher eleita chefe de Estado na África, que agora será sucedida por Weah.

Em 2011, ele concorreu como vice-presidente ao lado de Winston Tubman e desde 2014 é senador. Weah afirmou ter “ganhado experiência” desde então e muitos garantem que ele foi eleito “no momento certo.”

Durante sua campanha, Weah colocou a educação, a criação de empregos e a construção de infraestrutura no país como o centro de seu programa de governo. Com este projeto, ele venceu o primeiro turno turno com 38,4% dos votos, seguido por Boakai, que teve 28,8%.

“Alguém próximo”

Grande parte do eleitorado jovem apoiou Weah, que tem status de ídolo no país e é conhecido como “Mister George” (Senhor George, em tradução livre).

Weah é membro da etnia Kru, uma das mais importantes do país, concentrada no sudeste da Libéria. Ele foi criado por sua avó em um dos piores subúrbios de Monróvia.

“Os cidadãos comuns se identificam com George Weah porque pensam que ele é alguém próximo deles, de suas vidas cotidianas”, explicou Ibrahim Al Bakri Nyei, analista liberiano da Escola de Estudos Orientais e Africanos de Londres (SOAS, na sigla em inglês).

Seus críticos apontam que ele largou os estudos para seguir a carreira de jogador de futebol – o que é verdade, apesar de Weah ter voltado a estudar mais tarde.

Alguns de seus detratores, como Benoni Urey – candidato à presidência que foi eliminado no primeiro turno e apoiou Boakai -, consideram que Weah está sendo manipulado por Sirleaf para que ela possa continuar controlando a agenda política do país quando deixar a presidência depois de 12 anos.

Mas muitos eleitores veem nele um menino dos bairros pobres que conseguiu fazer seu caminho apesar de todas as dificuldades.

“Acredito que quando dermos uma oportunidade, ele poderá entregar uma libéria melhor para a juventude e para os sem-teto”, disse Andrew Janjay Johnson, um engraxate que trabalha em um mercado de Monróvia.

Vice-presidente polêmica

Seus críticos também dizem que o programa de governo de Weah é pouco preciso e criticam sua ausência em sessões do Senado.

Ele também foi amplamente atacado durante a campanha eleitoral por ter escolhido como sua vice-presidente Jewel Howard-Taylor, mulher do antigo mandatário e senhor da guerra Charles Taylor.

Jewel, no entanto, é uma senadora respeitada por seus próprios méritos e foi responsável por uma grande quantidade de votos conquistadas por sua chapa no condado de Bong, um distrito-chave para a eleição. Além disso, junto com Sirleaf, ela é uma das poucas mulheres no cenário político do país. / AFP

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