Perfis: os principais candidatos à presidência na França
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Perfis: os principais candidatos à presidência na França

Conheça mais sobre os quatro nomes que disputam o primeiro turno

Redação Internacional

23 Abril 2017 | 05h00

Andrei Netto
CORRESPONDENTE / PARIS

Emmanuel Macron: surpresa, dissidente de centro-esquerda é favorito

Grande surpresa das eleições de 2017, Emmanuel Macron, de 39 anos, é considerado uma espécie de OVNI político na França. Nascido em 21 de dezembro de 1977 na cidade de Amiens, 144 quilômetros ao norte de Paris, filho de um casal de médicos, Macron formou-se em Filosofia e fez a carreira clássica dos presidentes, passando à prestigiosa Escola Nacional de Administração (ENA) em 2004. Funcionário público de alto escalão, migrou para a iniciativa privada para tornar-se banqueiro no banco de investimentos Rothschild.

Homem de esquerda, foi filiado ao Partido Socialista (PS) entre 2006 e 2008, onde se tornou discípulo de Michel Rocard, ex-primeiro-ministro francês e teórico do social-liberalismo no interior do partido. Rompeu com a legenda, tornando-se um dissidente sem partido a partir de então, por discordar da política partidária interna. Ainda assim, foi nomeado secretário-geral do Palácio do Eliseu em 2012, na presidência de François Hollande, e teria sido um dos responsáveis pela virada social-liberal do governo. Então iniciou uma carreira política meteórica, chegando ao posto de ministro da Economia, da Indústria e do Digital em 2014, sob o comando do primeiro-ministro Manuel Valls.

Ao longo dos anos seguintes, a rivalidade interna entre os três personagens, Hollande, Valls e Macron, começou a aparecer. Em abril de 2016, Macron anunciou a criação de um novo movimento político, En Marche! (Em Movimento!), de matriz social-liberal, na linha da Terceira Via implementada por Tony Blair nos anos 90.

Em agosto, pediu demissão do governo Hollande, evitando a crítica frontal a seu ex-tutor político. Líder de um novo partido, acompanhou à distância a luta entre Benoit Hamon e Valls no interior do PS pelo posto de candidato do partido em 2017 – vencida pelo primeiro – depois que Hollande desistiu de tentar a reeleição.

Em uma esquerda fragmentada em três tendências, a radical, de Jean-Luc Mélenchon, a social-democrata, de Hamon, Macron ocupou a faixa mais moderada, agregando também apoios do centro e do centro-direita. Na última semana, recebeu o apoio do ex-presidente americano Barack Obama e do ex-chanceler e premiê francês Dominique De Villepin. Chega como favorito hoje.

Marine Le Pen: a nova cara do radicalismo de direita

Marine Le Pen nasceu em 5 de agosto de 1968 na cidade de Neuilly-sur-Seine, a cidade de maior poder aquisitivo da França, situada na periferia rica de Paris. Filha do empresário Jean-Marie Le Pen, fundador da Frente Nacional, de matriz xenofóbica, antissemita e islamofóbica, Marine formou-se em direito e iniciou a carreira política aos 18 anos.

Deputada do Parlamento Europeu, assumiu parte das bandeiras de Jean-Marie, como o fim do bloco, a extinção da zona do euro, o fim do acordo de livre circulação de pessoas (Schengen) e o combate ao livre-mercado. Tenta se afastar das polêmicas envolvendo o negacionismo do Holocausto e antissemitismo.

François Fillon: ex-favorito foi abalado por denúncias

François Fillon, nascido em 4 de março de 1954 em Mans, 200 quilômetros a sudoeste de Paris, é advogado especializado em Direito Público. Iniciou sua carreira como homem público aos 22 anos. Ocupou diversos cargos na direita francesa antes de comandar a campanha eleitoral de Nicolas Sarkozy, em 2007.

Vitorioso, tornou-se primeiro-ministro, cargo que manteve ao longo de todo o mandato. Em novembro de 2016, surpreendeu ao vencer as primárias do partido Republicanos, batendo Sarkozy e o ex-premiê Alain Juppé. Favorito, foi atingido em cheio por um escândalo de empregos fantasmas de sua mulher e de dois de seus filhos.

Jean-Luc Mélenchon: a ascensão da esquerda populista

Nascido em 19 de agosto de 1951, em Tanger, no Marrocos, Mélenchon é expoente da esquerda radical na França, à imagem dos partidos Podemos, na Espanha, e Syriza, na Grécia. Filho de funcionários públicos franceses, formou-se em filosofia, foi professor de francês e jornalista antes de ingressar na carreira política.

Foi membro da Organização Comunista Internacional (OCI), de corrente trotskista. Em 2005, foi um dos líderes da campanha pelo “não” à Constituição Europeia na França. Rompeu com o PS três anos depois, criando partidos de esquerda radical a partir de então. Em 2017, surpreendeu nos debates e cresceu nas pesquisas.