Saiba como a América Latina se prepara para receber o ano-novo
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Saiba como a América Latina se prepara para receber o ano-novo

Nas praias do Rio de Janeiro, por exemplo, milhares de pessoas jogarão flores e oferendas nas águas, ou vão pular as sete primeiras ondas do ano para ter seus pedidos realizados

Redação Internacional

31 Dezembro 2016 | 05h00

Os brasileiros se vestem de branco e fazem oferendas a Iemajá na virada do ano para pedir paz, amor ou dinheiro, mas outras superstições na noite de ano-novo, como comer uvas e lentilhas, também são costume em outros países da América Latina.

Faithful take part in a ceremony for Yemanja, goddess of the sea, that is part of traditional New Year's celebrations on Copacabana beach in Rio de Janeiro, Brazil, Thursday, Dec. 29, 2016. As the year winds down, Brazilian worshippers of Yemanja celebrate the deity, offering flowers and launching large and small boats into the ocean in exchange for blessings in the coming year. The belief in the goddess comes from the African Yoruban religion brought to America by West African slaves. (AP Photo/Silvia Izquierdo)

Cerimônia é oferecida para Iemanjá na praia de Copacabana. Foto: Silvia Izquierdo/AP

 

Nas praias do Rio de Janeiro, por exemplo, milhares de pessoas jogarão flores e oferendas nas águas, ou vão pular as sete primeiras ondas do ano para ter seus pedidos realizados.

Em Santiago do Chile, todo mundo vai vestir lingerie de cor amarela: a tradição é para atrair prosperidade e amor.

“A calcinha amarela é para o amor, sorte, dinheiro, para que este ano seja bom para todos. Temos calcinhas, cuecas, shorts, tudo amarelo”, explica à agência France-Presse Gladys Leal, uma vendedora de lingerie na capital chilena.

Ao lado, outra lojista, Jesica Silva, diz que “como é a tradição a cada ano, é necessário que a roupa de baixo seja oferecida como presente para trazer boa sorte para o próximo ano, para os solteiros, para o amor, abundância e prosperidade”.

“Porque o amarelo representa os raios dourados da abundância e da prosperidade”, insiste.

Alguns puristas até sugerem vestir a lingerie do lado avesso para garantir um ano novo cheio de paixão.

“Além da roupa íntima amarela, a tradição está mais relacionado com a cor”, diz o escritor chileno Héctor Velis-Meza, autor de A História Secreta do Natal e do Ano Novo, que recorda que o amarelo, tradicionalmente considerado uma cor que atrai azar, aqui refere-se ao sol como um símbolo da eternidade.

O Chile não é o único a ter esta tradição das roupas íntimas amarelas, igualmente observada no Brasil, principalmente para atrair riqueza, no México, Peru, Equador e Colômbia.

View of yellow underwear for sell at a store in Medellin, Colombia, on December 29, 2016, where tradition holds that it brings prosperity and good luck if you wear it on New Year's Eve.  / AFP PHOTO / CAMILO GIL

Calcinhas amarelas são vendidas em Medellin, na Colômbia. Foto: Camilo Gil/AFP

 

No Uruguai e na Argentina a lingerie deve ser preferencialmente rosa para celebrar a chegada de 2017, enquanto na Venezuela é indispensável vestir roupas novas.

Jogar água, queimar bonecas… Estas mandingas estão entre os muitos costumes da América Latina para celebrar o ano-novo, mas uma das mais comuns é comer lentilhas na ceia de réveillon, e 12 uvas à meia-noite, uma para cada mês do novo ano.

Em vários países da região, também é recomendado passear pelo bairro à meia-noite com uma mala: a promessa de muitas viagens no próximo ano.

No Uruguai, a população está acostumada a jogar baldes de água na rua para limpar os caminhos antes da chegada do novo ano… enquanto jogam na mesma rua calendários do ano que acaba de terminar.

Para garantir a boa sorte no ano-novo, os colombianos colocam batatas sob sua cama.

 

A shaman performs in an annual pre-New Year ceremony, at Agua Dulce beach in Lima, Peru, Thursday, Dec. 29, 2016. The shamans warned that their visions of 2017 were filled with doom and gloom including more terrorist attacks throughout Europe, a total collapse of the world economy, and devastating earthquakes. (AP Photo/Karel Navarro)

Ritual indígena no Peru. Foto: Karel Navarro/AP
No Peru e Equador, o ritual é o de queimar bonecas representando as personalidades mais rejeitadas pela população, um costume relacionado às práticas indígenas andinas de justiça popular.

Mas, em geral, como apontado por Héctor Velis-Meza, “grande parte desses ritos foram trazidos da Europa pelos conquistadores” de Espanha e Portugal, principalmente. Esse é particularmente o caso das 12 uvas, um típico hábito espanhol.

O escritor também cita o exemplo da tradição de comer lentilhas: na Europa, era costume ingerir esse prato altamente calórico para preparar o corpo para o inverno… enquanto na América Latina a passagem de ano ocorre em pleno verão. / AFP

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