Saiba quais países apoiam ou condenam o bombardeio dos EUA na Síria
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Saiba quais países apoiam ou condenam o bombardeio dos EUA na Síria

Arábia Saudita, Turquia, Rússia, China, entre outros, reagiram ao ataque americano; entenda seus posicionamentos e interesses no conflito

Redação Internacional

07 Abril 2017 | 12h35

Veja como vários países reagiram depois de o presidente americano, Donald Trump, autorizar o bombardeio de uma base aérea em território sírio – ação que deixou ao menos nove civis mortos – como uma resposta ao ataque químico contra civis atribuído a Damasco:

Apoiam o bombardeio

– Arábia Saudita

O chanceler saudita expressou seu “apoio total a operação dos militares americanos contra alvos na Síria”, de acordo com nota divulgada pela agência estatal de notícias. Uma fonte no ministério de Relações Exteriores destacou a “corajosa decisão do presidente dos EUA, que representa uma resposta aos crimes cometidos pelo regime contra seu próprio povo”.

Envolvimento na guerra: A Arábia Saudita é um dos principais apoiadores do grupos insurgentes que combatem o governo de Bashar Assad e o Estado Islâmico. Também é um dos países que participam da coalizão aérea liderada pelos EUA

Imagem divulgada pela Rússia mostra base aérea síria de Shayrat pouco depois de ser bombardeada pelos EUA (Russian Defense Ministry Press Service Photo via AP)

Imagem divulgada pela Rússia mostra base aérea síria de Shayrat pouco depois de ser bombardeada pelos EUA (Russian Defense Ministry Press Service Photo via AP)

Solução desejada: Riad apoia iniciativas que contemplem a saída de Assad do poder, uma posição que não dá muita margem para negociações

 

– Jordânia

O porta-voz do governo, Mohamed Momani, disse que a Jordânia considerou o bombardeio uma “resposta necessária e apropriada ao incessante ataque contra civis sírios” com armas de destruição em massa. Momani chamou o ataque químico na Província de Idlib, atribuído a Assad, um “ato desumano e hediondo”. Ele reiterou o apoio do país a todas as iniciativas internacionais para prevenir o uso futuro de armas químicas na Síria

Envolvimento na guerra: A Jordânia é parte da coalizão aérea que combate o EI e recebeu centenas de milhares de refugiados da Síria. O fluxo de pessoas já mudou a composição étnica do país, que compartilha 375 quilômetros de fronteira com a Síria

Solução desejada: O rei da Jordânia, Abdullah II, em entrevista ao lado de Donald Trum na quarta-feira, pediu “uma solução polític que encerre o conflito no país e oreserve a unidade e integridade territorial da Síria”.

 

– Turquia

“Nós recebemos bem a operação americana”, disse o ministro de Relações Exteriores da Turquia, Mevlut Cavusogulu. Para a Turquia, os bombardeios são “uma reposta positiva aos crimes de guerra do regime de Assad”. Em nota, um porta-voz do presidente Recep Tayyip Erdogan afirmou que “a destruçião da base aérea de Shayrat marca um passo importante para garantir que armas químicas e ataques convencionais contra civis não fiquem impunes”.

Envolvimento na guerra: O país tem uma longa fronteira com a Síria. Milhares de combatentes estrangeiros chegaram até a Síria pela Turquia que, por outro lado, recebeu milhares de refugiados. O país se opõe de forma ferrenha ao governo de Bashar Assad, oferecendo apoio a parte dos rebeldes que lutam contra ele.

Solução desejada: A Turquia quer que Assad deixe o poder, espera remover o Estado Islâmico do país e acabar com anos de desestabilização em sua fronteira ao sul. Ao mesmo tempo, o país deseja que os curdos parem de tentar fundar seu próprio Estado em meio ao caos no país.

Contrários ao ataque

– Rússia

Para presidente russo, Vladimir Putin, o bombardeio americano foi “uma agressão contra um Estado soberano em violação com as leis internacionais”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov. “Cooperação entre os militares de Rússia e EUA podem ser encerradas após o ataque”, disse Viktor Ozerov, chefe da Comissão de Defesa no Senado russo.

Envolvimento na guerra: A Rússia é o mais poderoso aliado do governo sírio e fornece o poderio militar por trás da ofensiva de Assad no país. Moscou tem interesses militares e econômicos no país, onde tem uma base naval na cidade de Tartus. Ao longo dos anos, a diplomacia russa blindou Damasco das tentativas de punições e sanções da ONU.

Solução desejada: Putin já afirmou que no que depender dele Assad não deixara o comando da Síria. Em uma análise mais abrangente, alguns analistas acreditam que o líder russo esteja usando o colega sírio como uma oportunidade para mandar uma mensagem de que é uma força a ser considerada – que os EUA não podem ignorar.

 

– Irã
O governo iraniano condenou a ação militar americana, informou um porta-voz da chancelaria do país. “Nós condenamos fortemente qualquer ação militar unilateral e o ataque militar na base aérea de Shayrat, na Síria, pelos EUA. Tais ações apenas fortalecem os terroristas e aumentam a complexidade no país e na região”, disse Bahram Qasemi de acordo com a agência semi-estatal ISNA.

Envolvimento na guerra: Teerã é um apoiador de longa data do regime de Assad, fornecendo dinheiro, armas e combatentes. O país atua em conjunto com a Rússia no apoio ao governo sírio. Sua principal motivação é conter os militantes sunitas.

Solução desejada: País de maioria xiita, o Irã não quer que a Síria seja controlada por Sunitas – especialmente porque os principais países do Oriente Médio que apoiam os rebeldes são o Catar e a Arábia Saudita. Teerã é contra uma solução militar e apoia as negociações de paz.

 

– China

A porta-voz da chancelaria chinesa disse que o país se opõe ao uso da força em assuntos internacionais ao comentar o bombardeio americano na Síria. Ela reiterou, porém, que o país também condena o uso de armas químicas. “A China sempre se opõe ao uso da força em questões internacionais e defende a solução de disputas pacificamente através do diálogo. Sempre defendemos que a questão síria deve ser resolvida de forma política.”

Envolvimento na guerra: A relação da China com a Síria é heterogênea. Assim como Moscou, Pequim bloqueou repetidamente as tentativas de sanções contra Assad na ONU. O país também tem relações comerciais com Damasco.

Solução desejada: A China defende que outros países não devem se envolver nas questões internas da Síria