Unesco, a guardiã do patrimônio cultural mundial
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Unesco, a guardiã do patrimônio cultural mundial

EUA e Israel se retiraram da entidade acusando-a de ser ‘anti-israelense’; conheça mais sobre a agência da ONU

Redação Internacional

12 Outubro 2017 | 16h22

PARIS – A Unesco, guardiã do patrimônio cultural da humanidade e da qual EUA e Israel decidiram se retirar nesta quinta-feira, 12, já havia sido marginalizada pelos americanos entre 1984 e 2003.

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Washington anunciou sua saída da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, acusando-a de ser “anti-israelense”. Logo depois, Israel anunciou a mesma decisão, criticando, segundo ele, o posicionamento da organização.

A Unesco é guardiã do patrimônio cultural da humanidade (Foto: REUTERS/Philippe Wojazer)

A Unesco é guardiã do patrimônio cultural da humanidade (Foto: REUTERS/Philippe Wojazer)

Em meados da década de 1980, o organismo atravessou uma crise com a retirada de EUA, Cingapura e Grã-Bretanha, que o criticavam por ter uma política muito pró-terceiro-mundo e uma má administração.

Com 195 Estados-membros e 8 membros associados, a agência da ONU tem um objetivo ambicioso: “construir a paz na mente dos homens por meio da educação, ciência, cultura e comunicação”.

A Unesco é mais conhecida por seus programas educacionais e suas listas de patrimônios mundiais de bens culturais e sítios naturais de destaque, por vezes ameaçados. A lista, em constante evolução, inclui 832 bens culturais classificados – como a Grande Muralha da China e a Cidade Velha de Jerusalém – e 206 sítios naturais – como Ha Long Bay no Vietnã e Cataratas Victoria no Zimbábue -, espalhados por 167 Estados.

A operação de preservação de um patrimônio mundial ocorreu em 1960 com o deslocamento do Grande Templo de Abu Simbel no Egito para evitar sua inundação pelo rio Nilo durante a construção da barragem de Assuã. A campanha durou 20 anos.

O conselho executivo da organização elege esta semana o seu próximo diretor-geral, que irá suceder a búlgara Irina Bokova. Ela completa dois mandatos marcados por dissensões políticas e dificuldades financeiras da organização. Ao fim do terceiro turno de votação, os candidatos do Catar, Hamad bin Abdoulaziz Al-Kawari, e da França, Audrey Azoulay, estavam empatados na quarta-feira.

Com sede em Paris, a Unesco possui mais de 50 escritórios e vários institutos e centros em todo o mundo, como o Instituto de Estatística (Montreal) e o Escritório Internacional de Educação (Genebra).

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O organismo foi precedido pela ICIC (Comissão Internacional para a Cooperação Intelectual), que foi criada em 1921 como parte da Liga das Nações, que antecedeu as Nações Unidas. Algumas personalidades de prestígio participaram dessa comissão, incluindo Henri Bergson, Albert Einstein, Marie Curie, Thomas Mann e Bela Bartok.

A Unesco foi fundada em 1945 no momento da criação das Nações Unidas. Sua constituição foi ratificada no dia 4 de novembro de 1946 por 20 países.

A Guerra Fria e o processo de descolonização tiveram impacto na entidade. A União Soviética só se tornou membro em 1954. Dois anos depois, a África do Sul do apartheid, considerando que a Unesco interferia em “problemas raciais” do país, retirou-se e retornou apenas com Nelson Mandela em 1994. / AFP

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