Único jornal argentino que denunciou crimes da ditadura no país fecha após 140 anos
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Único jornal argentino que denunciou crimes da ditadura no país fecha após 140 anos

Publicação chegou a ser homenageada em 2005 pela Câmara de Buenos Aires por sua importância durante o período

Redação Internacional

03 Agosto 2017 | 15h00

BUENOS AIRES – O jornal escrito em inglês Buenos Aires Herald, com 140 anos de circulação, chegou ao fim nesta semana. Ele foi o único a publicar notícias sobre a repressão na Argentina em plena ditadura (1976-1983).

“Os funcionários do Herald foram informados de que o jornal acabou”, dizia o último comunicado da publicação em sua conta no Twitter. No dia 15 de setembro de 2016, ele completou 140 anos de existência.

Jornal ganhou destaque internacional várias vezes por publicar informações sobre os milhares de desaparecidos durante a ditadura argentina (Foto: Buenos Aires Herald / Twitter)

Jornal ganhou destaque internacional várias vezes por publicar informações sobre os milhares de desaparecidos durante a ditadura argentina (Foto: Buenos Aires Herald / Twitter)

O jornal surgiu a partir do aumento de investimentos de empresas britânicas na Argentina no século XIX. Em sua fase final, circulava em papel apenas às sextas-feiras, mas divulgava conteúdo online nos outros dias.


Em 2005, a Câmara de Buenos Aires homenageou o diário por sua importância durante a última ditadura. Na época, o jornal estava sob chefia do britânico Robert Cox.

Ele ganhou destaque internacional várias vezes por publicar informações sobre os milhares de desaparecidos durante o período.

“Os militares proibiram que notícias sem confirmação oficial sobre sequestros ou cadáveres fossem publicadas. Nós usávamos os habeas corpus (apresentados à Justiça) como forma de confirmação”, declarou o britânico em uma entrevista para o jornal Página 12.

Em 1977, Cox foi preso ilegalmente e mantido nu em uma cela. / AFP