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Atirador de base dos EUA está vivo; mortos chegam a 13

Exército afirma que major que abriu fogo em Fort Hood está em condição estável; 30 ficaram feridos

estadao.com.br,

06 Novembro 2009 | 07h51

O major do Exército dos EUA Nidal Malik Hasan, que abriu fogo no interior da Base Fort Hood, a maior do país, no Texas, está vivo e hospitalizado, segundo informações do Exército americano. Um oficial confirmou ainda que a morte de mais uma vítima do ataque, elevando o número de mortos para 13. Outras 30 pessoas foram feridas. Soldados que testemunharam o tiroteio afirmaram que o atirador, psiquiatra militar e de origem muçulmana, gritou Allahu Akbar (Deus é grande) antes de abrir fogo.

 

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O autor do incidente, considerado o mais grave ocorrido em uma base militar nos EUA, aparentemente estava descontente pela notícia de que seria enviado à frente de batalha. Os primeiros relatórios informavam que Hasan tinha morrido, mas o general Bob Cone indicou durante a entrevista coletiva que o atirador permanece com vida e que sua condição é estável. O militar não explicou as razões pelas quais se disse no princípio que o autor do ataque teria morrido e se limitou a assinalar que a informação errada pode ter sido uma confusão no hospital em que feridos foram atendidos.

 

Segundo informações dos militares, Hasan está inconsciente e respira por aparelhos em um hospital do Texas. Ele foi baleado quatro vezes depois de abrir fogo na base militar de Fort Hood por volta das 13h30 locais de quinta.

 

Vestindo uniforme militar, o psiquiatra entrou na instalação médica onde soldados são submetidos a exames de rotina com duas pistolas. Cerca de 400 pessoas estavam no local no momento do ataque. Em cerca de dez minutos, 12 soldados e um civil morreram e outras 30 pessoas foram feridas. Oficiais não descartam a possibilidade de que algumas das vítimas tenham morrido por "fogo amigo", já que no momento ataque houve uma grande confusão e intensa troca de tiros. Soldados que testemunharam o incidente afirmaram que Hasan gritou "Allahu Akbar" antes de abrir fogo.

 

Segundo a rede CNN, oficiais invadiram o apartamento do atirador no início desta sexta-feira em busca de pistas do que poderia ter motivado o ataque. Hasan, psiquiatra formado pela Universidade Virginia Tech, foi promovido este ano e seria enviado em breve para lutar no Iraque. Ele trabalhava no Centro de Estudos de Estresse Pós-Traumático da base, onde atendia soldados.

 

Uma vizinha de Hassan, Patricia Villa, disse à Associated Press que ele esvaziou o apartamento onde morava dias antes do ataque. O major contou à vizinha na manhã da quarta-feira que seria enviado à guerra nesta sexta e que limparia sua casa.

 

Patricia ainda disse que Hassan lhe deu algumas coisas de seu apartamento, como móveis, camisetas, comida congelada e um Corão, o livro sagrado dos muçulmanos. NA quinta-feira, o major voltou a entrar em contato com a vizinha, deu-lhe mais coisas e ofereceu US$ 60 para que Patricia fizesse a limpeza de seu apartamento na sexta-feira antes que ele fosse embora.

 

Nascido e criado na Virgínia, Hassan é muçulmano devoto e filho de pais palestinos que emigraram de uma pequena cidade palestina próxima de Jerusalém. Ele teria ingressado ainda jovem no Exército e seguido uma carreira de sucesso, formando-se em medicina e tornando-se psiquiatra especializado ultimamente em tratar de soldados que retornavam das guerras. Segundo o relato de parentes ao diário The New York Times, Hasan teria começado a colocar em dúvida sua carreira militar há alguns anos após começar a ser atacado por colegas por ser muçulmano.

 

O dono de uma loja de conveniência em Fort Hood afirmou à CNN que o major esteve no local na manhã do incidente para comprar café, como fazia quase todos os dias. As imagens das câmeras de segurança mostram Hassan, sete horas antes do ataque, vestido um traje tradicional árabe.

 

 

O FBI (a polícia federal americana) estaria investigando recentemente postagens na internet de alguém identificado como Nidal Hassan, manifestando apoio a atentados suicidas. Os investigadores disseram não poder confirmar se o autor dos comentários na internet é o major acusado de abrir fogo contra colegas na base militar do Texas.

 

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