Atirador de Washington é executado com injeção letal

John Allen Muhammad matou 10 pessoas durante três semanas em outubro de 2002

Associated Press,

11 Novembro 2009 | 03h11

John Allen Muhammad, conhecido como o "franco-atirador de Washington" por ter aterrorizado a capital americana em 2002, foi executado na noite de terça-feira, 10, com uma injeção letal no Estado da Virgínia. Muhammad e seu cúmplice, Lee Boyd Malvo, então com 17 anos, mataram ao acaso dez pessoas em um período de três semanas.

 

A Suprema Corte dos EUA rejeitou na segunda-feira o último recurso apresentado por Muhammad, negro, de 48 anos, condenado à morte em 2004. O governador da Virgínia, Timothy Kaine, único que tinha autoridade para anistiá-lo, negou clemência ao franco-atirador. "Não encontro nenhuma razão convincente para anular a sentença que foi recomendada pelo júri e confirmada pela Suprema Corte. Por isso, me abstenho de intervir", afirmou o governador.

 

Para cometer seus assassinatos, Muhammad escondia-se no porta-malas de um carro para abater, com um só tiro, suas vítimas em estacionamentos de shopping centers, escolas ou postos de gasolina. Uma pessoa foi morta em Washington, seis no Estado de Maryland e três na Virgínia. Homens, mulheres, crianças, brancos, negros, ninguém parecia escapar do franco-atirador, que agia ao lado de Malvo - que hoje cumpre pena de prisão perpétua.

 

A saga de Muhammad e Malvo começou em 2 de outubro de 2002 com uma série de 5 assassinatos em um período de 15 horas na região metropolitana de Washington. Eles continuaram a matar aleatoriamente nas três semanas seguintes, deixando mensagens nos locais para que a polícia acreditasse que as mortes haviam sido orquestradas por mais de uma pessoa e pedindo US$ 10 milhões para acabar com a matança. Os dois foram identificados e presos em 24 de outubro de 2002.

 

Com formação de atirador de elite do Exército americano, Muhammad chegou a participar da primeira Guerra do Golfo. Por duas vezes, a polícia encontrou no lugar do assassinato mensagens com os dizeres "Chamem-me Deus" ou "Seus filhos não estarão nunca seguros em lugar nenhum", e um pedido de US$ 10 milhões para deter o massacre.

 

Durante seu julgamento, a promotoria chegou a dizer que a carnificina era parte de um complô de Muhammad para matar a ex-mulher e obter a guarda dos filhos - tese rejeitada por falta de provas. Malvo, porém, descreveu o caso como parte de uma jihad contra os americanos - Muhammad nasceu John Allen Williams e se converteu ao islamismo em 1987.

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