Em carta a Lula, Obama diz que eleição 'zera' crise hondurenha

Marco Aurélio Garcia critica justificatica da posição dos EUA sobre crise política no país centro-americano

Tânia Monteiro e Patrícia Campos Mello, de O Estado de S. Paulo,

24 Novembro 2009 | 16h17

O assessor especial da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, acaba de confirmar que o presidente dos EUA, Barack Obama, enviou domingo passado uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O assessor divulgou a informação após o encontro de Lula com o ex-presidente da República Checa Vaclav Havel no Itamaraty. Na carta, segundo Garcia, que é assessor de Lula para Assuntos Internacionais, os EUA justificam a posição da Casa Branca em relação a Honduras. O governo Obama é favorável à realização das eleições em Honduras sem que o presidente deposto Manuel Zelaya tenha reassumido o comando do país. Os EUA pressionam os países latino-americanos a reconhecer a eleição como uma espécie de ato institucional que serviria para "zerar" a crise político no País centro-americano.

 

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O governo brasileiro mantém a posição de não reconhecer as eleições. Lula também já reafirmou que o Brasil não mudará a postura diplomática, não reconhecendo também o governo que sairá das eleições do próximo domingo. Para Marco Aurélio Garcia, os EUA estão apostando que o processo eleitoral será calmo e funcionará como uma forma de recuperar o diálogo. "(As eleições) não serão tranquilas", disse o assessor especial de Lula. Reafirmou que a decisão dos EUA é uma "atitude equivocada", um endosso aos golpistas de Honduras. Para o Brasil, a presença de Zelaya na embaixada em Tegucigalpa não é um incômodo diplomático.

 

Na avaliação de Garcia, o clima positivo criado com a eleição de Obama "começa a se desfazer". Para Garcia, os EUA podiam ter feito mais pressão do que fizeram pela volta de Zelaya. "Eles poderiam ter utilizado pressões mais fortes, como usaram em outras situações". Garcia disse ainda que no caso da crise política hondurenha "há um nítido desacordo (dos EUA) com o Brasil".

 

Na avaliação do assessor especial da Presidência, o Brasil entende que o "presidente Obama está enfrentando uma situação complexa no seu país, com uma agenda interna difícil, complexa. Mas isso está provocando uma certa frustração. O presidente Lula continua com a expectativa de manter um bom relacionamento com EUA. Há um certo sabor de decepção, que nós queremos que seja revertido". Garcia disse que na carta, o presidente Obama também trata da questão da Rodada Doha, da Organização Mundial do Comércio (OMC), que está com as negociações travadas.

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