EUA afirmam que acordo de Brasil e Turquia com Irã não é aceitável

Segundo autoridade, país continuará trabalhando por sanções mesmo com acordo nuclear

REUTERS

28 Maio 2010 | 17h24

Os Estados Unidos acreditam que o acordo nuclear com o Irã mediado por Brasil e Turquia não é aceitável e que o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) deve trabalhar para novas sanções contra Teerã, disse nesta sexta-feira, 28, uma alta autoridade norte-americana.    

 

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"Na nossa visão, a declaração conjunta fica aquém do que é necessário. Mas indiferentemente desta proposta, é importante que prosseguimos em Nova York para adotar a resolução", disse a autoridade sob condição de anonimato.

 

Altos oficiais americanos disseram a repórteres que o acordo nuclear mediado por Brasil e Turquia com o Irã não resolvia a principal preocupação a respeito do programa nuclear iraniano: a suspeita de que ele seja destinado a construção de armas nucleares.

 

"O maior problema é que o Irã continua a enriquecer urânio, o que ele é obrigado a suspender sob três resoluções do Conselho (de Segurança da ONU), disse uma autoridade, em condição de anonimato.

 

Segundo os oficiais, o acordo o qual Brasil e Turquia esperavam que pudesse evitar sanções ao Irã foi firmado com atraso, e não faz com que Teerã ganhe mais tempo. Eles deixaram claro que a nova proposta não irá retardar de modo algum o movimento de Washington para aprovar novas sanções ao Irã.

 

Brasil e Turquia mediaram um acordo com o Irã, pelo qual Teerã se compromete a enviar 1.200 quilos de seu urânio para o a Turquia, de onde o combustível seria enviado para ser enriquecido na Rússia e França. O acordo foi rejeitado pelos membros permanentes do Conselho de Segurança, que, liderados pelos Estados Unidos, anunciaram um consenso para aplicar nova rodada de sanções contra o Irã.

 

Segundo os EUA, o grande problema é que o Irã afirmou que vai continuar enriquecendo urânio a 20% mesmo com o acordo. A Casa Branca afirma que o acordo Brasil-Turquia-Irã foi apenas uma tentativa de Teerã de evitar as sanções.

 

Nesta quinta, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, deixou claro que o Irã está azedando a relação entre Brasil e EUA. "Certamente temos uma divergência muito séria em relação à diplomacia do Brasil com o Irã", disse Hillary. Segundo ela, o caminho pregado pelo Brasil, de prolongar negociações em vez de aplicar sanções pela ONU, "deixa o mundo mais perigoso".

 

"Já dissemos ao presidente Lula e ao chanceler Celso Amorim que fazer o Irã ganhar tempo deixa o mundo mais perigoso, não menos", declarou ao ser indagada sobre o tema num evento do Instituto Brookings. Foi a mais dura e direta declaração sobre o assunto até agora.

 

Os membros permanentes do Conselho de Segurança - EUA, Rússia, Reino Unido, França e China - aprovaram um rascunho de uma quarta rodada de sanções contra o Irã. O documento atualmente circula no órgão da ONU e deve ser avaliado formalmente em junho.

 

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Com informações de O Estado de S. Paulo

 

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