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EUA buscam coalizão contra Estado Islâmico, mas aliados militares são incerteza

Os Estados Unidos estão intensificando seus esforços para criar uma campanha internacional contra os combatentes do Estado Islâmico no Iraque e na Síria, inclusive recrutando aliados para uma eventual ação militar conjunta, informaram autoridades do governo.

Grã-Bretanha e Austrália são possíveis candidatos, disseram os funcionários. A Alemanha disse estar conversando com os EUA e outros parceiros internacionais sobre uma possível ação militar contra o Estado Islâmico, mas deixou claro que não participaria dela.

“Iremos trabalhar política e diplomaticamente com as pessoas da região”, declarou o presidente norte-americano, Barack Obama, a repórteres nesta quinta-feira. “E iremos montar o tipo de coalizão que precisamos para uma estratégia de longo prazo assim que pudermos juntar os componentes militares, políticos e econômicos desta estratégia.”

Não ficou claro quantas nações irão se oferecer. Algumas, como a aliada Grã-Bretanha, guardam lembranças amargas da participação da “coalizão dos dispostos” liderada pelos EUA na invasão do Iraque em 2003, que incluiu tropas de 38 países. Outras, como a França, se recusaram a agir.

Segundo as autoridades, se necessário, os EUA poderiam agir sozinhos contra os militantes, que ocuparam um terço do Iraque e da Síria, declararam guerra contra o Ocidente e querem estabelecer um polo jihadista no coração do mundo árabe.

Assessores da Casa Branca de alto escalão se reuniram nesta semana para discutir uma estratégia para ampliar sua ofensiva sobre o Estado Islâmico, cogitando a possibilidade de ataques aéreos contra os redutos dos militantes no leste sírio, uma escalada que quase certamente seria mais arriscada que a atual campanha dos EUA no Iraque.

Embora o governo iraquiano tenha acolhido o papel dos caças norte-americanos para atacar militantes, o presidente sírio, Bashar al-Assad, alertou que quaisquer ataques realizados sem a permissão de seu país seriam considerados um ato de agressão, o que poderia envolver a eventual coalizão liderada pelos EUA em um conflito ainda maior na Síria.

O governo do primeiro-ministro britânico, David Cameron, declarou que não recebeu nenhum pedido para colaborar com os ataques aéreos dos EUA.

O porta-voz do premiê australiano, Tony Abbott, disse que a ajuda humanitária ao Iraque irá continuar, mas se recusou a responder se seu país se juntaria a uma ação militar conduzida pelos norte-americanos.

Autoridades dos EUA esperam que o sucesso relativo da assistência humanitária e dos ataques recentes a armamentos dos militantes no Iraque diminuam os temores dos aliados para apoiar novas ações militares.

Oficiais norte-americanos também parecem estar acelerando os esforços para criar uma coalizão mais ampla de países para minar a força do Estado Islâmico no Iraque e na Síria.

Na lista de países dispostos a ajudar, embora sem se envolver em operações militares, estão Turquia, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Jordânia, Grã-Bretanha, França, Austrália e Alemanha, informaram duas fontes sob condição de anonimato.

(Reportagem adicional de Arshad Mohammed e Roberta Rampton, em Washington; e de John Irish, em Paris)