EUA renovam estratégia de segurança e reconhecem outras lideranças mundiais

Em nova doutrina , Obama pede cooperação internacional e se distancia da postura da era Bush

estadão.com.br

27 Maio 2010 | 14h08

WASHINGTON -  A nova estratégia de segurança dos Estados Unidos divulgada nesta quinta-feira, 27, afirma que preservar a liderança americana no mundo depende da aceitação e manejamento do surgimento de vários outros competidores, e se distancia da doutrina de Bush de que lutar contra o terrorismo é a principal prioridade do país.

 

No documento, Obama pede maior cooperação da comunidade internacional para "dividir o fardo" de se encarregar da segurança e cita a China como um dos principais parceiros, embora não desconsidere o crescimento militar de Pequim. "Vamos monitorar o programa de modernização militar da China e assegurar que os interesses dos EUA e seus aliados, regionais e globais, não sejam afetados negativamente", disse o presidente.

 

Na nova estratégia, Obama também afirma que os EUA buscarão "múltiplos meios" para isolar o Irã e a Coreia do Norte se eles ignorarem suas responsabilidades internacionais em relação a seus programas nucleares.

 

 O amplo documento, exigido por lei a cada presidente dos EUA, também afirmou que Washington estava buscando um engajamento "sem ilusões" com o Irã, referindo-se à resposta desafiadora da República Islâmica à tentativa diplomática de Obama feita anteriormente.

 

 

Esforço conjunto

 

Trechos da nova estratégia já haviam sido antecipados mais cedo nesta quinta. A nova estratégia de segurança nacional considera tanto o engajamento diplomático quanto a disciplina econômica como fatores junto ao poder militar para manter o país à frente dos esforços pela paz.

 

Em uma quebra formal da postura da era Bush, a estratégia do presidente Barack Obama pede a expansão das parcerias além dos tradicionais aliados americanos e o alinhamento com países emergente como China e Índia para partilhar a responsabilidade sobre a segurança mundial. "Os fardos deste novo século não podem recair somente sobre os ombros americanos", diz o presidente no início do texto.

 

Segundo o documento, estimular o crescimento econômico e ajustar as pendências fiscais do país são prioridades para a segurança nacional. "No centro de nossos esforços está o comprometimento para renovar nossa economia, que serve como um demonstrativo do poder dos EUA", diz o texto. "Nossa estratégia começa pelo reconhecimento de que nossa força e nossa influência no exterior iniciam-se com os passos que tomamos aqui dentro", diz o prefácio do documento.

 

Apesar da ênfase no valor da cooperação global, porém, a nova política não se distancia completamente da polêmica doutrina ofensiva de Bush. O documento não faz menção ao uso de forças militares em ataques preventivos contra Estados ou organizações que ameacem a segurança, como foi feito na doutrina Bush, mas não descarta explicitamente a estratégia militar.

 

"Enquanto o uso da força é necessário algumas vezes, esgotaremos todas as outras possibilidades antes de iniciar uma guerra, e analisaremos cuidadosamente os custos e riscos dessas ações", diz Obama, acrescentando que órgãos como o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) serão procurados quando necessário.

 

Sobre as ameaças internacionais, o texto diz que o "maior perigo para o povo americano e a segurança internacional continua vindo das armas de destruição em massa, principalmente as atômicas". Ele ainda cita a Al-Qaeda repetidamente e aponta o Irã e a Coreia do Norte como adversários dos EUA por conta de seus programas nucleares.

 

O documento de 52 páginas tenta balancear o idealismo das promessas de campanha de Obama com as realidades e confrontos que o mundo enfrentou nos últimos 16 meses, período em que o democrata esteve no poder. Segundo ele, um "país endurecido pelas guerras e disciplinado pela crise econômica" não pode sustentar por muito mais tempo as guerras do Iraque e do Afeganistão, enquanto há outros assuntos para tratar dentro e fora dos EUA.

 

Guerra ao Terror

 

Obama, porém, abandonou a terminologia segundo a qual o país está em meio a uma "guerra ao terror". "Nós sempre buscaremos deslegitimar o uso do terrorismo e isolar aqueles que o praticam", afirma o documento. "Ainda assim, isso não é uma guerra global contra uma tática, o terrorismo, nem uma religião, o Islã", aponta o texto.

 

O presidente aponta a Al-Qaeda, rede chefiada por Osama bi Laden, como o maior inimigo do país. "Nós estamos em guerra contra uma rede específica, a Al-Qaeda, e suas afiliadas terroristas que apoiam os esforços para atacar os EUA, nossos aliados, nossos parceiros." A expressão "guerra ao terror" era bastante usada pelo antecessor do atual presidente, George W. Bush.

 

(Com informações das agências Reuters e Associated Press)

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