EUA reprimem ponto de encontro para imigrantes ilegais

Os Estados Unidos restringiram fortemente o acesso a um ponto na fronteira com o México onde famílias e casais divididos pela imigração ilegal conseguiam se encontrar brevemente para trocar beijos e afagos através de uma cerca.

LIZBETH DIAZ, REUTERS

19 Novembro 2009 | 21h48

Tentando conter o trânsito de pessoas sem documentos e a infiltração de drogas por buracos na cerca fronteiriça entre San Diego e Tijuana, os EUA fortificaram a área com uma segunda cerca.

O Parque da Amizade, à beira do oceano Pacífico, havia se tornado cenário de casamentos transfronteiriços, cultos religiosos, festas de Natal e até aulas de ioga desde que foi inaugurado, em 1971, pela então primeira-dama norte-americana, Pat Nixon.

Era para ser um parque com acesso para pessoas dos dois lados da fronteira, mas suas mesas de piquenique e balanços ficaram inacessíveis aos mexicanos desde 1994, quando os EUA ergueram uma grade para impedir a passagem de traficantes e migrantes clandestinos.

Mas ainda assim era possível que as pessoas se encontrassem e se tocassem mesmo estando em lados diferentes da cerca, sob o olhar atento de guardas encarregados de impedir o contrabando, o narcotráfico e a imigração ilegal.

O local era especialmente frequentado no dia de São Valentim (14 de fevereiro, Dia dos Namorados), por amantes separados que trocavam bilhetes.

A nova cerca, concluída neste mês, tem sensores, luzes, radares e câmeras, isolando o acesso à grade inicial.

"Foi um ato de crueldade", disse Katy Parkinson, moradora norte-americana de Tjuana (México) que dirige uma ONG voltada para os migrantes. "Aqui, avós conheciam seus netos, pegavam fotos, as pessoas podiam se reencontrar."

A Patrulha de Fronteira diz que as pessoas que estão no lado norte-americano podem ter acesso à cerca na fronteira com o México durante quatro horas, aos sábados e domingos, depois de serem avaliadas por agentes e colocadas em grupos de até 25 pessoas.

"As pessoas ainda podem se encontrar em horas designadas", disse o agente José Morales. "A segunda cerca era necessária porque a primeira era (...) violada por contrabandistas e pessoas que passavam drogas e RGs falsos através dela", acrescentou.

(Reportagem adicional de Robin Emmott em Monterrey)

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