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Ex-enfermeiro americano é acusado de encorajar suicídios via web

23 Abril 2010 | 20h 41

Homem convencia pessoas a cometerem suicídio e dava instruções de como se suicidarem

Associated Press

 

MINNEAPOLIS- Um ex-enfermeiro americano foi acusado nesta sexta-feira, 23, por ajudar uma mulher canadense e um homem britânico a cometerem suicídio. William Melchert-Dinkel, 47, havia afirmado a policiais que encorajou dezenas de pessoas a cometerem suicídio pela web.

 

Dinkel é acusado de encorajar os suicídios de Mark Drybrough, 23, que se enforcou em sua casa em Coventry, na Inglaterra, em 2005; e Nadia Kajouji, 18, que se afogou em um rio em Ottawa, onde ela estudava na Universidade de Carleton.

 

Promotores afirmaram que Melchert-Dinkel se identificava como uma enfermeira, usando apenas o nome "Cami", "falcongirl", "li dao", e outros, depois simulava empatia por aqueles que conhecia em chats suicidas, e oferecia instruções às pessoas de como cometer suicídio.

 

De acordo com a investigação, Dinkel disse à polícia que encorajou "dezenas" de pessoas a se suicidarem. Ele também estimava ter ajudado cerca de cinco pessoas a se matarem.

 

Encontrado em sua casa em Faribault na sexta-feira, Melchert-Dinkel disse a um repórter da Associated Press que não tinha comentários a fazer e o expulsou de sua propriedade. Seu advogado, Terry Watkins, também se recusou a discutir o caso em detalhes, afirmando que ainda não tinha recebido todas as provas.

 

O ex-enfermeiro, cuja primeira audiência está marcada para 25 de maio, disse à polícia em 29 de janeiro que havia parado de organizar os chats depois do Natal de 2008 por razões legais e morais. Na ocasião, ele afirmou "se sentir terrivelmente mal" sobre os conselhos que dava às outras pessoas.

 

Um e-mail de Dinkel dava conselhos técnicos de como se enforcar de cima de uma porta. A investigação o ligou ao suicídio da jovem canadense por meio de pesquisas nos computadores dos dois. Autoridades canadenses determinaram que ela conversava com alguém que se denominava Cali e fez um pacto suicida com a pessoa.

 

Alguns especialistas afirmam que a aplicação da pena para o crime de Dinkel, que pode chegar a 15 anos de prisão e uma multa de US$ 30 mil, pode ser dificultada porque o acusado não ajudou fisicamente no suicídio das duas pessoas; só os encorajou e os deu informações técnicas. A lei estadual não aborda situações que envolvam a web ou ocorram fora do estado.

 

As autoridades de Minnesota começaram a investigar o caso em 2008, quando um ativista antisuicida no Reino Unido os alertou que alguém do estado estava usando a web para induzir pessoas a se suicidarem.

 

Melchert-Dinkel trabalhou em vários hospitais e foi citado várias vezes por ser negligente e rude com pacientes, de acordo com o Conselho de Enfermagem de Minnesota, que revogou sua licença em junho.

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