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Funcionário do Wikileaks é interrogado em aeroporto dos Estados Unidos

vazamento; guerra; Afeganistão; Wikileaks; Taleban; EUA

02 Agosto 2010 | 19h 49

Agentes apreenderam laptop e celulares de programador que nega examinar documentos vazados

NOVA YORK- O programador Jacob Appelbaum, funcionário do site Wikileaks, passou por um interrogatório de três horas no aeroporto de Newark, em Nova Jersey, após retornar de uma viagem ao exterior, segundo o jornal The New York Times.

 

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lista  Leia a íntegra no Wikileaks  (Em inglês)

 

No último dia 25, o Wikileaks divulgou mais de 90 mil documentos secretos americanos sobre a guerra do Afeganistão, que sugeriam, entre outros assuntos, o apoio da inteligência do Paquistão à insurgência afegã, e davam conta de mortes de civis não reportadas, assim como da existência de um esquadrão das forças americanas destinado a capturar e matar líderes Taleban sem julgamento.

 

Em entrevista ao diário nova-iorquino, Appelbaum disse que agentes do Serviço de Alfândegas americano quiseram saber sobre sua colaboração com o Wikileaks e seu fundador, Julian Assange.

 

Segundo Appelbaum, os agentes não deixaram que entrasse em contato com seu advogado. Além disso, ameaçaram o programador com a possibilidade de detê-lo sempre que voltasse aos Estados Unidos com a intenção de submetê-lo a mais perguntas.

 

"Questionaram minha capacidade de voltar a entrar nos Estados Unidos, apesar de eu ser um cidadão americano. É muito perturbador pensar que, a cada vez que eu cruzar a fronteira, serei tratado dessa maneira", declarou Appelbaum, que disse viajar ao exterior a negócios duas vezes por mês.

 

Segundo o programador, os agentes apreenderam seu laptop e três celulares e se negaram a devolver os telefones após o interrogatório.

 

Appelbaum trabalha para a Tor Projects, fabricante de um software que permite aos internautas se comunicar de forma anônima na rede. Ele é colaborador do Wikileaks há meses e, segundo relatou ao NYT, participou de uma conferência telefônica do site no lugar de Assange.

 

Segundo Appelbaum, seu trabalho no Wikileaks não tem a ver com o exame dos documentos que o site recebe por meio de vazamentos.