1. Usuário
Assine o Estadão
assine


Funcionários de restaurantes fast-food protestam e centenas são presos nos EUA

BARBARA GOLDBERG E LISA BAERTLEIN - REUTERS

04 Setembro 2014 | 21h 23

Funcionários de restaurantes fast-food realizaram manifestações em cerca de 150 cidades dos Estados Unidos nesta quinta-feira pedindo melhores salários, e organizadores disseram que 450 deles foram presos em vários locais, da praça Times Square, em Manhattan, a Los Angeles.

Cerca de 400 manifestantes lotaram a Times Square durante o horário de pico da manhã – a mais recente das ações em andamento que têm por objetivo aumentar o salário dos trabalhadores para 15 dólares por hora.

Eles ergueram cartazes com os dizeres “Unam-se pelos 15 dólares e direitos sindicais”, e alguns fizeram um ‘sit-in’ (ocupar um lugar se sentando nos espaços disponíveis) em um restaurante McDonald's, o que levou a 19 prisões por desordem pública.

Protestos deste tipo foram realizados em outras cidades, e os organizadores afirmaram que foram feitas 465 detenções em Chicago, Detroit, Little Rock, Arkansas, Kansas City, Houston e Nashville.

Em Los Angeles, os manifestantes confrontaram os gerentes dentro de dois restaurantes McDonald's, e perto de Milwaukee a deputada Gwen Moore estava entre as 27 pessoas presas.

Latoya Walker, que trabalha em um McDonald's, vive em um abrigo de sem-teto no bairro nova-iorquino do Queens e ganha oito dólares por hora, engrossou a passeata desta quinta-feira em nome de seus cinco filhos pequenos.

“Com 15 dólares, conseguiria economizar o bastante para alugar uma casa para minhas crianças”, afirmou.

Os organizadores das manifestações disseram que as ações desta quinta-feira foram as maiores até hoje, e tiveram por alvo grandes redes como McDonald's MCD.N, Burger King BKW.N, Wendy's WEN.O e KFC YUM.N.

Em Kansas City, a manifestante Dana Wittman, de 38 anos, declarou que os nove dólares por hora que recebe no Pizza Hut não bastam para sua família.

“Tenho que escolher entre pagar o aluguel e pôr comida no prato”, disse.

As ações recorrentes, apoiadas pelos sindicatos e que começaram em Nova York, vêm ganhando fôlego desde o final de 2012. Elas ajudaram a despertar um debate nacional sobre o salário mínimo nos EUA, que está em 7,25 dólares por hora desde 2009, apesar dos esforços dos democratas no Congresso para aumentá-lo antes das eleições parlamentares de novembro.

Especialistas dizem que cerca de 11 dólares por hora é a linha da pobreza para uma família de quatro pessoas.

A maioria dos restaurantes fast-food norte-americanos pertence a franquias, que estabelecem seus próprios salários e dizem que aumentar o valor pago por hora irá prejudicar seus negócios.

  (Reportagem adicional de Kevin Murphy em Kansas City, Laila Kearney em Nova York, Elizabeth Daley em Pittsburgh, Brendan O'Brien r, Milwaukee, Keith Coffman em Denver, Dan Kelly em Philadelphia)