Guerra contra terror corroeu direitos humanos, diz especialista

Estados não democráticos têm se referido às práticas antiterrorismo dos EUA para justificar seus abusos

Reuters,

16 Fevereiro 2009 | 14h50

A "guerra contra o terror" lançada pelos Estados Unidos depois dos atentados de 11 de Setembro corroeu os direitos humanos no mundo, criando um cinismo persistente que as Nações Unidas agora devem combater, disse Mary Robinson, do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, nesta segunda-feira, 16. Ela afirmou que quando os militantes da Al-Qaeda lançaram aviões sequestrados contra o World Trade Center e Pentágono em 2001, Washington também causou danos de algumas maneiras com suas respostas aos atentados.   Veja também: Obama ordena o fechamento de Guantánamo e proíbe tortura Saiba mais sobre a base naval de Guantánamo   "Sete anos depois do 11/9, agora é hora de reavaliação e anulação de leis e políticas abusivas", afirmou a ex-presidente da Irlanda, alertando que as detenções americanas e interrogatórios no Iraque, Afeganistão e na base naval de Guantánamo, dão um sinal perigoso para outros países que facilmente poderiam seguir essas políticas.   Enquanto o novo presidente Barack Obama anunciou que irá fechar a prisão de Guantánamo, em um rompimento com as práticas de seu predecessor, George W. Bush, Mary disse que mudanças precisam acontecer para assegurar que Washington abandone sua "guerra paradigma". "Não estamos mais seguros", disse ela em entrevista coletiva em Genebra. "Estamos mais divididos, e as pessoas estão mais cínicas sobre a operação das leis."   Arthur Chaskalson, ex-chefe de justiça da África do Sul, declarou que os EUA devem iniciar um inquérito em suas práticas antiterroristas, incluindo atos de tortura por seguranças individuais e agentes da inteligência. Apesar das medidas antiterrorismo terem saído de cena desde a mudança no governo americano, Chaskalson afirmou que as práticas rodaram o mundo e podem continuar restringindo a liberdade se não forem combatidas.   "Todos nós temos menos direitos hoje do que tínhamos há cinco ou 10 anos, e se nada acontecer, teremos menos ainda", disse ele em uma reunião, no início de um informe da Comissão Internacional de Juristas (ICJ) sobre antiterrorismo e direitos humanos.   Monitoramento   O informe do grupo descobriu que muitos Estados não democráticos têm se referido às práticas antiterrorismo dos EUA para justificar seus próprios abusos, alertou Mary. Ela pediu que o Conselho de Segurança da ONU e o Conselho dos Direitos Humanos intensifiquem seu monitoramento e ajude as nações pobres com treinamento de policiais para melhor identificar violações de direitos humanos.   As políticas antiterrorismo no mundo devem ser colocadas sob um microscópio, continuou a ex-líder irlandesa. "Isso poderia justificar uma sessão especial do Conselho dos Direitos Humanos", completou. O corpo formado por 47 Estados-membros já tiveram sessões especiais sobre Israel e palestinos, conflito de Darfur, desastre em Mianmar, crise no Cong e alto preço dos alimentos, e irá se reunir pela crise financeira global na sexta-feira.   Mary também questionou a efetividade da revisão periódica universal do Conselho, classificando-as de "leve", e disse que há a necessidade "de uma liderança nas Nações Unidas". Países que foram recentemente revistos pelo Conselho incluem China, Rússia, Alemanha, Canadá, Arábia Saudita e México.  

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