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Jovem assassinado no Missouri é lembrado em meio a clamores por paz e justiça

EDWARD MCALLISTER E NICK CAREY - REUTERS

25 Agosto 2014 | 18h 13

Morte de Brown chamou atenção para tensões raciais no país; por mais de duas semanas, Ferguson é palco de manifestações

Milhares de pessoas foram ao funeral de Michael Brown, morto por um policial na cidade de Ferguson
Milhares de pessoas foram ao funeral de Michael Brown, morto por um policial na cidade de Ferguson

Familiares e amigos celebraram nesta segunda-feira a vida de Michael Brown, adolescente negro morto por um policial na cidade de Ferguson, no Estado norte-americano do Missouri, em um velório repleto de música e clamores para que ele seja lembrado com paz e mudanças políticas.

Milhares de pessoas se espremeram na igreja batista onde o serviço foi realizado e do lado de fora, na avenida Dr. Martin Luther King, em St. Louis, um cenário contrastante com as manifestações violentas que abalaram a cidade suburbana depois do assassinato a tiros do jovem de 18 anos desarmado.

A morte de Brown concentrou a atenção nas tensões raciais nos Estados Unidos, e os protestos evocaram a crítica ao uso de equipamento militar, às táticas truculentas da polícia local e à discriminação contra negros nas batidas policiais.

Um júri começou a ouvir testemunhos sobre o tiroteio, e o Departamento de Justiça dos EUA abriu sua própria investigação.

Comentando o caso Brown, o reverendo Al Sharpton, ativista de direitos civis, pediu um inquérito justo e imparcial sobre o assassinato e o fim da brutalidade policial.

"Michael Brown não quer ser lembrado por tumultos”, declarou Sharpton, “mas como aquele que fez os Estados Unidos encararem a maneira como vamos fazer o policiamento no país”.

Mas ele conclamou a comunidade negra a pôr fim aos episódios de violência e saques nas ruas que mancharam o nome de Ferguson.

“Temos que ficar ultrajados por nosso desrespeito uns pelos outros”, afirmou. “Alguns de nós agem como se a definição de negritude fosse o quão baixo você consegue ir.”

Do lado de fora da igreja, a presença policial era intensa, mas discreta. As autoridades se prepararam para possíveis confrontos entre manifestantes e a polícia, embora estes tenham se reduzido significativamente nos últimos dias.

A multidão repetiu o já familiar “mãos para cima, não atire”, que vem sendo entoado pelos manifestantes nas ruas de Ferguson.

Há diferentes relatos sobre a morte de Brown. A polícia afirma que ele lutou com o policial que o alvejou e matou, mas testemunhas dizem que Brown levantou as mãos e que estava se entregando quando foi atingido várias vezes na cabeça e no peito.

(Reportagem adicional de Carey Gillam)