Nobel da Paz é um chamado para a ação, diz Obama

Em discurso, presidente homenageado por esforços diplomáticos diz que não acredita ser merecedor do prêmio

estadao.com.br,

09 Outubro 2009 | 12h21

 

Obama discursa no jardim da Casa Branca. Foto: Reuters    

  

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou nesta sexta-feira, 9, que está surpreso e profundamente honrado por ter sido escolhido para o Nobel da Paz de 2009, e que considera o prêmio como um chamado para a ação. Segundo ele, a homenagem não é vista "como um reconhecimento de minhas conquistas, mas sim a afirmação da liderança norte-americana em nome das aspirações das pessoas em todas as nações". "Sinto que não mereço estar ao lado de tantas figuras transformadoras que já foram honradas com este prêmio".

 

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Obama conquistou o Prêmio Nobel da Paz nesta sexta-feira por dar ao mundo "esperança de um futuro melhor" com seus trabalhos para a paz e pedidos para redução do arsenal nuclear. O Comitê do Nobel na Noruega elogiou Obama por "seus extraordinários esforços para fortalecer a cooperação internacional entre os povos". "Muito raramente uma pessoa com a mesma amplitude de Obama capturou a atenção do mundo e deu ao seu povo a esperança de um futuro melhor", disse o comitê.

 

Em rápidas declarações sobre o tema, Obama disse que não sentia merecedor de estar na companhia de antigos ganhadores. Mas disse que aceitava o prêmio como um chamado para a ação, para que o mundo enfrente os desafios comuns do século 21. "Os desafios não podem ser encarados por qualquer líder sozinho ou qualquer nação sozinha", disse Obama. Ele também pediu que todos os países tomem medidas para eliminar as armas nucleares, para enfrentar as mudanças climáticas e que lutem pela paz no Oriente Médio. "Parte do trabalho que temos de fazer não será concluído durante minha presidência", disse ele. "Alguns, como a eliminação das armas nucleares, podem não ser concluídos durante meu tempo de vida".

 

 
Obama é flagrado no telefone antes do discurso. Foto: AP

Num tom mais pessoal, Obama revelou que, depois que recebeu a notícia, sua filha mais velha, Malia, foi até ele e disse: "papai, você ganhou o Nobel da Paz, e hoje é aniversário do Bo", em referência ao cachorro da família presidencial. Então, a caçula Sasha acrescentou: "E ainda teremos um fim de semana de três dias". "Nada como ter filhos para conservar a perspectiva das coisas", brincou o presidente.

 

O comitê deu o prêmio a Obama menos de nove meses após ele assumir a Presidência. Apesar de estabelecer uma agenda internacional ambiciosa, ele ainda tem de conseguir avanços no Oriente Médio ou na questão do programa nuclear iraniano. Ele também enfrenta escolhas difíceis sobre a condução da guerra no Afeganistão.

 

Sem citar seu antecessor George W. Bush, o comitê salientou as diferenças no envolvimento dos EUA com o resto do mundo desde a mudança de governo em Washington, em janeiro. "A diplomacia multilateral recobrou uma posição central, com ênfase no papel que as Nações Unidas e outras instituições internacionais podem desempenhar."

 

Perguntado por que o prêmio foi dado a Obama menos de um ano depois que assumiu o cargo, o presidente do comitê do Nobel, Thorbjoern Jagland disse que o comitê queria "apoiar o que ele está tentando atingir".

 

Obama viajará a Oslo para receber o prêmio, que será entregue em cerimônia em 10 de dezembro. O vencedor ganha uma medalha de ouro, um diploma e um prêmio em dinheiro de 10 milhões de coroas suecas - o equivalente a cerca de R$ 2,5 milhões. O secretário de Imprensa da Casa Branca, Robert Gibbs, declarou que Obama doará para instituições de caridade o dinheiro.

 

É a terceira vez que um presidente americano em exercício recebe o Nobel da Paz, após Theodore Roosevelt (1906) e Woodrow Wilson (1919). Em 2002, a homenagem foi feita ao ex-presidente Jimmy Carter, por seu trabalho mediador. Em 2007, o ex-vice-presidente Al Gore, também democrata, o recebeu por seu trabalho na luta contra a mudança climática.

 

Atualizado ás 15:55

 

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