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Obama busca fundos e rapidez em audiências para conter imigração infantil

STEVE HOLLAND E RICHARD COWAN - REUTERS

08 Julho 2014 | 17h 51

O governo dos Estados Unidos adotou medidas nesta terça-feira para conter um surto imigratório de crianças da América Central, pedindo 3,7 bilhões de dólares em gastos emergenciais ao Congresso e elaborando planos para priorizar audiências de deportação dos jovens.

Esta foi a resposta mais incisiva do presidente norte-americano, Barack Obama, até o momento na atual luta para controlar a crise humanitária ao longo da fronteira do Texas com o México e rebater as críticas do Partido Republicano, que exige uma reação mais dura.

Um destes críticos, o governador texano, Rick Perry, deve se reunir com Obama em Dallas na quarta-feira. No domingo, Perry acusou o governo de lentidão e pediu o envio de tropas da Guarda Nacional para a fronteira.

O governo dos EUA projeta que no ano que vem cerca de 150 mil crianças de Honduras, El Salvador e Guatemala podem fugir da pobreza generalizada e da violência doméstica e do narcotráfico rumo ao seu território. Mais de 52 mil menores desacompanhados destes três países foram pegos tentando cruzar a fronteira desde outubro, o dobro da cifra do mesmo período do ano passado.

O pedido de 3,7 bilhões de dólares é maior que a estimativa inicial de 2 bilhões de dólares. Autoridades da Casa Branca afirmaram que jamais concordaram com o valor menor e que sabiam que o montante seria maior.

A Casa Branca declarou que a maior porção dos fundos requisitados, cerca de 1,8 bilhão de dólares, irá pagar pelo cuidado com as crianças enquanto estão sob custódia norte-americana.

Outra parte irá financiar o reforço do policiamento na fronteira, a contratação de mais juízes de imigração e o pagamento de programas para desestimular crianças deportadas a tentar entrar ilegalmente nos EUA novamente.

Em separado, um funcionário do Departamento de Justiça disse à Reuters que os EUA planejam priorizar crianças imigrantes em detrimento de adultos nas audiências de deportação.

A nova política, a ser anunciada na quarta-feira, significa que agora os tribunais de imigração poderão ouvir primeiro os menores recém-chegados, enquanto imigrantes adultos não-detidos, incluindo os que buscam asilo, terão que esperar mais.

A América Central, ponto central no trânsito de drogas entre a América do Sul e os EUA, tem um longo histórico de violência de cartéis, e o problema cresceu nos últimos anos devido às disputas por territórios entre cartéis mexicanos brutais.

Honduras tem a maior taxa de homicídio do mundo, de acordo com um relatório de abril da Organização das Nações Unidas (ONU).

(Reportagem adicional de Mark Felsenthal e Jeff Mason)

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