Obama defende julgamento de terroristas do 11/09 em NY

Para presidente, não há fundamento em alimentar temor pela presença dos suspeitos na cidade do atentado

Agência Estado, Associated Press e Efe,

18 Novembro 2009 | 14h43

Os americanos não devem ficar "temerosos" pelo fato de que cinco homens acusados de orquestrar os atentados de 11 de Setembro serão julgados em Nova York, afirmou nesta quarta-feira, 18, o presidente Barack Obama.

 

"Eu acho que essa noção que de alguma forma devemos ficar temerosos, que esses terroristas possuem alguns poderes especiais que nos impedem de apresentar provas contra eles, prendê-los e fazer justiça rápida, eu acho que esse tem sido um erro fundamental", afirmou Obama, de acordo com trechos de uma entrevista ao canal CNN divulgados nesta quarta.

 

O procurador-geral dos EUA, Eric Holder, anunciou na semana passada que cinco homens acusados de tramar os ataques de 11 de Setembro, entre eles o autointitulado cérebro por trás dos atentados, Khalid Sheikh Mohammed, serão transferidos da Baía de Guantánamo para serem processados em Nova York. Os cinco devem seguir para um tribunal perto de onde ficavam as Torres Gêmeas para o julgamento. O anúncio de Holder, enquanto Obama estava na Ásia, enfureceu vários familiares de vítimas e gerou críticas dos republicanos.

 

"Nós estamos em guerra, e devemos levar os terroristas à justiça de uma maneira consistente com os terríveis atos de guerra que eles cometeram", afirmou o senador republicano John McCain, ex-adversário de Obama nas eleições.

 

Obama discorda da posição do ex-rival: "Eu também tenho grande confiança em nossas, as mesmas que julgaram centenas de suspeitos de terrorismo, presos agora nos EUA", disse o presidente.

 

Corte civil

 

Para Holder, porém, os suspeitos devem ser julgados na Corte civil americana. A decisão do procurados gerou críticas de comentaristas conservadores, que usaram o argumento de que Mohammed e seus supostos colaboradores transformarão o julgamento em um instrumento de propaganda da rede terrorista Al Qaeda.

 

Holder tentou refutar essa posição em um comparecimento ao Comitê Judicial do Senado. "Não tenho medo do que (Mohammed) tenha a dizer no julgamento e ninguém mais deveria que ter", disse. "Tenho confiança de que a nação e o mundo o verão como o covarde que ele é", acrescentou o procurador-geral.

 

Jeff Sessions, o republicano de maior categoria do comitê, considerou a decisão de Holder "perigosa", e afirmou que tratar Mohammed como um criminoso comum indica que "lutar contra o terrorismo mundial não é a prioridade que era antes". "Não acho que o povo americano esteja reagindo de forma excessiva ou que esteja agindo com medo", disse.

 

O presidente do comitê, o democrata Patrick Leahy, apoiou a Administração. "Eles cometeram assassinato nos EUA e faremos justiça aqui nos EUA", disse.

 

O procurador-geral comentou que os cinco acusados poderiam ter sido processados em tribunais militares especiais, mas, após estudar o assunto, concluiu que "o fórum onde é mais provável que haja justiça para o povo americano é a corte federal".

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