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Obama pede ao Japão que mantenha pacto sobre bases militares

Acordo permite que Washington tenha instalações no país asiático; Hatoyama iniciou revisão do documento

Agência Estado,

10 Novembro 2009 | 12h34

O presidente dos EUA, Barack Obama, pediu nesta terça-feira, 10, ao novo governo de centro-esquerda do Japão que mantenha o pacto por meio do qual Tóquio autoriza Washington a manter bases militares em seu território. O pedido, feito durante entrevista a uma emissora japonesa de televisão, vem à tona em um momento no qual o líder americano prepara-se para sua primeira visita oficial ao Japão.

 

Obama também declarou que pretende tornar-se em breve o primeiro presidente americano a visitar, enquanto ocupa o cargo, as cidades de Hiroshima e Nagasaki, alvos de bombas atômicas dos EUA durante a Segunda Guerra Mundial. Ao mesmo tempo, o governo japonês anunciou uma ajuda de US$ 5 bilhões para a reconstrução do Afeganistão.

 

O presidente americano disse entender o fato de o governo do primeiro-ministro Yukio Hatoyama querer reavaliar a aliança de defesa estabelecida pelos dois países no pós-guerra depois de pôr fim, em setembro, um domínio conservador de mais de cinco décadas quase ininterruptas no poder.

 

Apesar disso, Obama insistiu em que a manutenção das bases atende aos interesses do Japão. "O primeiro-ministro Hatoyama lidera um movimento de mudança no Japão que realmente não possui precedentes. Está acontecendo um terremoto político" no país asiático, declarou Obama em entrevista exclusiva concedida à emissora de televisão japonesa NHK.

 

"Creio ser totalmente pertinente que o novo governo queira reexaminar a forma como pretende atuar dentro de um novo ambiente. Mas tenho confiança em que, uma vez concluída a reavaliação, a conclusão será que a aliança que temos, os acordos que discutimos, todas essas coisas, servem aos interesses do Japão e serão mantidos", declarou.

 

O novo governo japonês está revisando um acordo fechado em 2006 que permitiria a construção de uma nova base militar americana na ilha de Okinawa, no sul do arquipélago nipônico. No domingo, cerca de 20.000 pessoas protestaram contra a presença militar dos EUA na área.

 

Hatoyama advertiu que a base aérea de Futenma, atualmente localizada em uma movimentada área urbana, não poderá ser realocada no litoral, conforme previamente acertado, e deveria ser estabelecida fora de Okinawa, ou até mesmo fora do Japão.

 

O sentimento de antipatia à presença militar americana pode aumentar ainda mais depois de ter vindo à tona a notícia de que o exército americano deteve um recruta envolvido em um caso de atropelamento e fuga no último sábado. A vítima foi um senhor de 66 anos.

 

No passado, os habitantes de Okinawa protestaram enfaticamente contra crimes cometidos pelos militares americanos estacionados na base. A estrutura militar abriga atualmente mais da metade dos cerca de 47.000 soldados americanos presentes no Japão.

 

Obama partirá na quarta-feira para um giro de uma semana pela Ásia. Ele visitará o Japão nos dias 12 e 13. O líder americano irá a seguir para Cingapura, China e Coreia do Sul.

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