Obama quer mudanças nos planos sobre futuro da guerra afegã

Presidente pede quer equipe esclareça como e quando as tropas dos EUA vão transferir as tarefas de segurança

estadao.com.br,

12 Novembro 2009 | 11h39

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, não aceitará nenhuma das opções sobre o futuro da guerra no Afeganistão sem que fique claro como e quando as forças americanas passarão às autoridades afegãs a responsabilidade pela segurança do país asiático, revelou nesta quinta-feira, 12, uma fonte em Washington.

 

Veja também:

Embaixador dos EUA em Cabul alerta contra aumento de tropas

especialEspecial: 30 anos de violência e caos no Afeganistão

 

A notícia sobre a posição de Obama vem à tona em um momento no qual seu próprio embaixador em Cabul, Karl Eikenberry, declara-se contrário à elevação do número de soldados americanos no Afeganistão, segundo outra fonte no governo. A preocupação maior de Eikenberry é o temor de que a elevação do contingente americano no Afeganistão torne o país centro-asiático mais dependente dos EUA, e não menos.

 

Eikenberry manifestou sua contrariedade ao aumento do número de tropas em mensagens confidenciais enviada a Washington antes de uma reunião de Obama com seus assessores para discutir a guerra ocorrida ontem. Tanto a posição de Obama quanto a de Eikenberry sinalizam o ceticismo de Washington com o presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, cujo governo tem sido alvo constante de denúncias de corrupção.

 

A mensagem que emerge do governo americano é de que os EUA não assumirão com o Afeganistão um compromisso por tempo indeterminado. Hoje, em Manila, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, manifestou sua preocupação com "a corrupção, a falta de transparência, a má governança e a ausência de império da lei". Ela cobrou de Karzai, que em uma semana iniciará seu segundo mandato, que "demonstre não apenas à comunidade internacional, mas principalmente a seu próprio povo, que seu governo responderá a necessidade tão evidentes".

 

Na reunião de ontem, segundo a fonte, Obama declarou-se descontente com os planos a ele apresentados e pediu mudanças. O presidente americano exigiu que fique claro como e quando as forças dos EUA repassarão às autoridades afegãs a responsabilidade pela segurança de seu próprio país, prosseguiu a fonte. Porém, apesar da exigência de alterações nos planos, a expectativa ainda é a de que Obama se decida por uma elevação considerável do contingente americano no Afeganistão.

 

Os EUA já mantêm cerca de 100.000 soldados no Afeganistão. Pelos novos planos em avaliação, há sugestões para que sejam enviados entre 20.000 e 40.000 soldados mais ao país. A Casa Branca disse que Obama ainda não se decidiu entre as propostas que lhe foram apresentadas, e que as deliberações devem continuar durante sua viagem de nove dias a Ásia, que começa na quinta-feira. Seu porta-voz insistiu que a decisão deve levar semanas.

 

Reservadamente, funcionários descrevem propostas que aprofundariam o envolvimento militar dos EUA no Afeganistão, onde as tropas enfrentam a insurgência do Taleban e de seus aliados da Al-Qaeda. Anteriormente, eles havia dito que, entre as quatro opções estratégicas disponíveis, havia entre alguns assessores um crescente apoio ao envio de pelo menos 30 mil soldados adicionais.

 

Obama parece inclinado a jogar um ônus maior sobre o presidente afegão, Hamid Karzai, cuja credibilidade está em xeque depois da sua tumultuada reeleição, marcada por suspeitas de fraude. Washington deve exigir de Cabul, por exemplo, que as forças locais sejam reforçadas de modo que seja possível estabelecer um cronograma para a transferência de mais responsabilidades a elas.

 

A nova sessão de deliberações do governo norte-americano ocorreu enquanto saía uma pesquisa mostrando que cada vez mais norte-americanos acham que a guerra do Afeganistão vai mal e discordam da condução dada ao conflito. O número recorde de militares mortos abalou a confiança da opinião pública na guerra, e o envio de mais tropas pode se tornar um ônus político para Obama antes das eleições parlamentares de 2010.

Mais conteúdo sobre:
Afeganistão EUA

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.