Principais acusados pelo 11/9 serão julgados em Nova York

Secretário de Justiça espera que Promotoria peça pena de morte para os 5 suspeitos, incluindo mentor da ação

estadao.com.br,

13 Novembro 2009 | 14h23

O secretário de Justiça dos EUA, Eric Holder, confirmou nesta sexta-feira, 13, que o autoproclamado mentor dos ataques de 11 de setembro de 2001, o paquistanês Khalid Sheikh Mohammed, e mais quatro suspeitos de terrorismo detidos na base naval de Guantánamo, Cuba, serão julgados em Nova York por um tribunal civil. Segundo Holder, a Promotoria deve pedir a pena de morte para os acusados pelos atentados que mataram 2.973 pessoas.

 

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Além de Mohammed, Waleed bin Attash, Ramzi Binalshibh, Mustafa Ahmad al-Hawsawi e Ali Abd al-Aziz Ali serão transferidos para uma prisão federal de segurança máxima em Nova York. A transferência deve acontecer 45 dias após o Congresso ser comunicado e autoridades locais e estaduais serem consultadas. Holder afirmou esperar que "os promotores busquem a pena de morte para cada um dos conspiradores do 11/09". Segundo ele, os detidos sob acusação de envolvimento com o 11 de Setembro serão julgados a algumas quadras do local onde ficavam as Torres Gêmeas.

 

Mais cedo, sem confirmar detalhes da decisão, Obama disse que essa é uma questão de segurança legal e nacional. "Estou absolutamente convencido de que Khalid Sheikh Mohammed será submetido aos processos mais exigentes da Justiça", disse o presidente durante entrevista coletiva no Japão, onde iniciou um giro pela Ásia.

Ao levar suspeitos tão notórios ao território americano, Obama dá um passo importante para levar adiante o plano de fechar o centro de detenção da base naval mantida pelos EUA em solo cubano. O julgamento também pode obrigar o sistema judiciário dos EUA a confrontar uma série de questões jurídicas oriundas dos programas de combate ao terrorismo estabelecidos pelo governo George W. Bush em meio a denúncias de tortura física e psicológica. Os métodos mais severos de tortura, como a simulação de afogamento, foram usados em Mohammed 183 vezes em 2003, antes da prática ser banida.

Obama e sua equipe vêm enfrentando diversos obstáculos políticos e diplomáticos, e alguns funcionários da administração, falando reservadamente, admitem que talvez seja difícil cumprir o prazo previsto. Há 215 detentos no campo de detenção criado pela administração George W. Bush no início de 2002 para abrigar suspeitos de terrorismo. O governo quer mostrar que é possível julgar e eventualmente manter preso nos EUA um egresso de Guantánamo, sem que isso represente uma ameaça à segurança nacional. Obama argumenta que parte dos prisioneiros pode tranquilamente ser julgada em tribunais federais nos EUA. Caso sejam culpados, eles cumpririam penas em prisões de alta segurança em solo americano.

 

Os julgamentos em Nova York provavelmente provocarão algumas reações fortes, especialmente porque foi em Nova York que os ataques de 2001 destruíram as torres gêmeas do World Trade Center. Republicanos argumentam que Guantánamo já possui as instalações necessárias para julgar e prender os suspeitos de terrorismo. Eles dizem, também, que as comunidades que abrigarem os presos poderão se tornar alvos de ataques. Mas a administração de Obama e outros democratas alegam que as cortes e prisões dos EUA já lidaram com dezenas de suspeitos de terrorismo antes e que é preciso fechar Guantánamo, que maculou a reputação dos EUA no exterior.

 

Mohammed admitiu nos interrogatórios ter sido o mentor dos ataques. Ele teria proposto a ação a Osama bin Laden em 1996, obtendo financiamento para os atentados, supervisou os planos e treinou no Afeganistão e no Paquistão os sequestradores dos aviões usados.

 

 

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