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Professor brasileiro é um dos 14 mortos no massacre de NY

Central de Notícias

05 Abril 2009 | 15h 25

Almir Olimpio Alves estudava no centro de imigração; atirador matou 13 e deixou 4 feridos antes de se suicidar

Um brasileiro foi uma das 14 vítimas fatais do massacre contra o prédio da American Civic Association, ocorrido na última sexta-feira, 3, na cidade Binghampton, estado de Nova York. O brasileiro é o professor Almir Olimpio Alves, de 42 anos, que estudava no centro que auxilia imigrantes e refugiados a se integrarem à sociedade local. (Veja lista completa das vítimas).

 

Segundo sua mulher, Márcia Lins Alves, ele fazia pós-doutorado em Matemática na Universidade de Binghamton e diariamente assistia a aulas na associação para aprimorar o inglês. Ele deixou um filho de 16 anos.

 

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Almir é de origem humilde, veio da roça, onde morava com os pais em Carpina, na zona da mata, e sempre estudou em escola pública. Reconhecido internacionalmente por suas investigações na área da Matemática Pura, Almir foi convidado pela Universidade de Binghamton para fazer pós-doutorado depois de defender sua tese de doutorado, há cerca de cinco anos. Ele viajou para os EUA em setembro do ano passado.

 

Na última sexta, um homem, identificado como Jiverly Wong, de 41 anos, invadiu o local armado com dois revólveres e matou 13 pessoas em um centro de serviços de imigração antes de aparentemente ter se suicidado, afirmaram as autoridades de Binghamton, em Nova York.

 

Durante uma entrevista coletiva, Joseph Zikuski, chefe da Polícia dessa localidade do estado de Nova York, disse que a ação foi "premeditada" e relacionada com as gozações das quais Voong achava ser alvo por causa de suas dificuldades para se expressar em inglês. Ele também tinha perdido o emprego recentemente. No dia do massacre, uma recepcionista que levou um tiro na barriga se fingiu de morta e ligou para a polícia.

 

Segundo a cidade de Binghamton, os parentes das vítimas vão receber uma ajuda de US$ 6 mil para providenciar o enterro ou traslado do corpo para seus países de origem, e para passagens de avião para os parentes. De acordo com o consulado brasileiro em Nova York, a família de Alves ainda não havia feito contato para providenciar a papelada do traslado.

 

A mulher de Pedro Otaneda, o orientador de pós-doutorado de Alves, foi quem avisou a mulher do matemático, Marcia Pereira Lins Alves, de 36 anos, que mora em Pernambuco, na noite de sábado.

Almir Olímpio Alves ensinava, há seis anos, no departamento de Matemática da Universidade de Pernambuco (UPE), em Nazaré da Mata, na Zona da Mata do Estado. Ele foi o primeiro doutor a ensinar na unidade. Neste domingo, houve uma missa e uma vigília em homenagem às vítimas na cidade.

 

O atirador matou 14 pessoas, deixou quatro gravemente feridas e fez 37 reféns, antes de se suicidar. A polícia ainda investiga o motivo do crime, o quinto assassinato em massa nos EUA no último mês. O atirador tinha uma pistola 9 mm e outra 45, além de uma faca.

 

(Com Angela Lacerda e Patrícia Campos Mello, de O Estado de S. Paulo)