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Protestos por morte de jovem negro continuam nos EUA; parlamentares pedem calma à polícia

SCOTT MALONE E ELLEN WULFHORST - REUTERS

19 Agosto 2014 | 20h 14

O enterro do jovem negro desarmado cuja morte por um policial do Missouri desencadeou uma semana de conflitos de contornos raciais na cidade norte-americana de Ferguson, na região de St. Louis, foi anunciado nesta terça-feira.

A violência rendeu manchetes em todo o mundo, levando a um questionamento sobre o relacionamento interracial nos Estados Unidos quase seis anos depois de o país eleger seu primeiro presidente negro.

Enquanto os advogados da família de Michael Brown, de 18 anos, anunciavam os planos de seu funeral, parlamentares dos EUA pediam calma e mudanças nas táticas policiais, que até agora não conseguiram apaziguar a revolta dos manifestantes.

A polícia afirmou que foi vítima de tiros de segunda-feira para terça-feira e que prendeu dezenas de pessoas, apesar da mobilização da Guarda Nacional do Estado do Missouri e da suspensão do toque de recolher para permitir a livre manifestação.

Houve pelo menos 57 prisões na noite de segunda-feira e início da terça-feira, a maioria por desacato a ordens para se dispersar, de acordo com o Centro de Serviços de Justiça do Condado de St. Louis, que afirmou que 15 dos detidos não são do Missouri.

“As pessoas que estão vandalizando e saqueando não são as que vivem nesta área. Elas vêm aqui e esperam a ação começar”, disse Arlando Travis, de 38 anos, dono de uma empresa local de paisagismo.

“Fizemos um policiamento ostensivo durante alguns dias, e depois muito pouco”, declarou Claire McCaskill, senadora democrata do Missouri a caminho de Ferguson nesta terça-feira, ao canal de TV a cabo MSNBC.

Ela disse estar trabalhando com líderes locais em novos métodos, como revistas em busca de armas e a transferência de protestos para longe do distrito comercial.

Na segunda-feira, o presidente Barack Obama declarou ter dito ao governador do Missouri, Jay Nixon, que o emprego da Guarda Nacional deve ser limitado, e também clamou pela conciliação. O secretário de Justiça dos EUA, Eric Holder, planeja visitar Ferguson na quarta-feira.

As tensões começaram no dia 9 de agosto, quando Brown foi morto a tiros enquanto caminhava com um amigo em uma rua residencial. A polícia se recusou a divulgar de imediato o nome do policial que o matou e mais tarde o identificou como Darren Wilson, mas não deu detalhes do motivo de ele ter disparado vários tiros em Brown.

(Reportagem adicional de Lucas Jackson em Ferguson, Carey Gillam em Kansas City, Eric Beech em Washington, Curtis Skinner em Nova York)