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Suposto mentor do 11 de Setembro será julgado em Nova York

Khalid Sheikh Mohammed e outros 4 terroristas serão levados para território americano; anúncio será feito hoje

estadao.com.br,

13 Novembro 2009 | 09h44

O autoproclamado mentor dos ataques de 11 de setembro de 2001 contra os Estados Unidos, o paquistanês Khalid Sheikh Mohammed, e mais quatro suspeitos de terrorismo detidos na base naval de Guantánamo, Cuba, serão julgados em Nova York por um tribunal civil, revelou nesta sexta-feira, 13, uma fonte no governo americano.

 

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Sob a condição de anonimato, o funcionário afirmou que o secretário de Justiça dos EUA, Eric Holder, anunciará formalmente a decisão ainda nesta sexta. Holder deve confirmar ainda que Abd al-Rahim al-Nashiri, acusado de planejar o ataque ao navio USS Cole no Iêmen em 2000, que deixou 17 oficiais mortos, enfrentará a Justiça civil antes da comissão militar, assim como outros presos que serão identificados no anúncio.

 

Sem confirmar detalhes da decisão, Obama disse que essa é uma questão de segurança legal e nacional. "Estou absolutamente convencido de que Khalid Sheikh Mohammed será submetido aos processos mais exigentes da Justiça", disse o presidente durante entrevista coletiva no Japão, onde iniciou um giro pela Ásia.

 

Ao levar suspeitos tão notórios ao território americano, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, dá um passo importante para levar adiante o plano de fechar o centro de detenção da base naval mantida pelos EUA em solo cubano. O julgamento também pode obrigar o sistema judiciário dos EUA a confrontar uma série de questões jurídicas oriundas dos programas de combate ao terrorismo estabelecidos pelo governo George W. Bush em meio a denúncias de tortura física e psicológica. Os metidos mais severos de tortura, como a simulação de afogamento, foram usados em Mohammed 183 vezes em 2003, antes da prática ser banida.

 

O governo quer mostrar que é possível julgar e eventualmente manter preso nos EUA um egresso de Guantánamo, sem que isso represente uma ameaça à segurança nacional. Obama argumenta que parte dos prisioneiros pode tranquilamente ser julgada em tribunais federais nos EUA. Caso sejam culpados, eles cumpririam penas em prisões de alta segurança em solo americano. Os republicanos e alguns democratas opõem-se à transferência de acusados de terrorismo para os EUA. Alegam que não é seguro.

 

Mohammed e outros quatro presos - Waleed bin Attash, Ramzi Binalshibh, Mustafa Ahmad al-Hawsawi e Ali Abd al-Aziz Ali - são acusados de orquestrar os ataques de 11 de setembro, que mataram 2.973 pessoas. Mohammed admitiu nos interrogatórios ter sido o mentor dos ataques. Ele teria proposto a ação a Osama bin Laden em 1996, obtendo financiamento para os atentados, supervisou os planos e treinou no Afeganistão e no Paquistão os sequestradores dos aviões usados.

 

 

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