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América Latina realiza cúpula em Cuba sem convidar os EUA

DANIEL TROTTA - Reuters

27 Janeiro 2014 | 11h 40

Governantes da América Latina e do Caribe vão se reunir em Cuba nesta semana para discutir comércio, paz e direitos humanos, em mais um sinal da disposição da região em se contrapor ao domínio dos Estados Unidos.

A conferência de dois dias deve tratar de temas como as negociações de paz na Colômbia, pobreza no Haiti e direitos humanos. Ao todo, 33 países da região vão participar, incluindo a presidente Dilma Rousseff. Os EUA e o Canadá não foram convidados.

Enquanto os governantes devem expressar a solidariedade com Cuba e talvez tentar um encontro com o ex-presidente Fidel Castro, dissidentes cubanos pró-direitos humanos na ilha comunista vão buscar chamar a atenção dos líderes e dos jornalistas presentes.

Em eventos internacionais anteriores em Cuba, os dissidentes tentaram destacar as violações aos direitos humanos e a falta de democracia no único regime de partido único no Hemisfério Ocidental.

Opositores do governo relataram durante o fim de semana que foram alertados pela polícia a não irem até o fórum em Havana e também disseram que ativistas foram temporariamente detidos.

Entre os presos está José Ferrer, líder de um dos mais ativos grupos de oposição. A polícia prendeu Ferrer na sexta-feira e o soltou no domingo, segundo o grupo do qual ele faz parte.

A Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) teve a sua primeira cúpula no Chile no ano passado. O grupo foi estabelecido como rival da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da Cúpula das Américas, dominadas pelos EUA, das quais Cuba não participa.

Antes do começo oficial da reunião na terça-feira, Cuba e Brasil vão inaugurar o projeto de um porto no valor de 900 milhões de dólares, financiado principalmente pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e construído pela Odebrecht.

A presidente Dilma Rousseff e seu homólogo cubano, Raúl Castro, participarão da cerimônia.

Na cúpula em si, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, disse que vai propor a criação de uma comissão de estudo sobre descolonização em apoio à independência de Porto Rico, território administrado pelos EUA.

(Reportagem adicional de Marc Frank, Nelson Acosta, Mitra Taj, Alexandra Valencia, Anthony Boadle, Andrew Cawthorne, Brian Ellsworth, Miguel Gutierrez, Diego Ore, Luis Jaime Acosta, Rosalba O'Brien, Marco Aquino, Alejandro Lifschitz, Malena Castaldi e Mariel Cristaldo)

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