Ministério da Defesa / AP
Ministério da Defesa / AP

Buscas a submarino ocorrem em ponto a 950 metros de profundidade

Familiares dos tripulantes do ARA San Juan, desaparecido desde 15 de novembro, pedem que operações de salvamento sejam retomadas

O Estado de S.Paulo

03 Dezembro 2017 | 17h38

BUENOS AIRES - O porta-voz da Marinha argentina, Enrique Balbi, disse neste domingo que a embarcação russa Pantera Plus, de operação remota e especializada em águas profundas, tentará descer a 950 metros de profundidade, onde foi detectado um possível objeto metálico. O veículo russo, que está sendo transportado pelo barco argentino Ilhas Malvinas, já havia descido no sábado em outro ponto, a 477 metros de profundidade, onde encontrou restos de um navio pesqueiro. 

O submergível russo também desceu a 700 metros de profundidade na noite de sábado, mas não detectou nada e vasculhou a região. Balbi confirmou que existe um ponto a 800 metros de profundidade a ser explorado, mas disse que as condições climáticas adversas poderiam ameaçar o Ilhas Malvinas.

O último contato do ARA San Juan ocorreu em 15 de novembro, na região do golfo de San Jorge, a 432 quilômetros da costa argentina. Poucas horas antes, a embarcação havia comunicado a entrada de água, que caiu sobre as baterias e proocou um curto-circuito e um princípio de incêndio. O problema, que na época não foi considerado grave, levou o comando a ordenar que a embarcação retornasse para a base, em Mar del Plata. (400km ao sul de Buenos Aires). 

Três horas depois da última comunicação ocorreu o registro de um som consistente com o de uma explosão, a 27 quilômetros da posição reportada pelo submarino. As buscas se concetram nessa região, onde seis barcos permanecem operantes.

Na última entrevista coletiva, o porta-voz da Marinha foi surpreendido pelo pai de um dos tripulantes, que reclamou e disse não estar recebendo informações a respeito das buscas. "Até agora, a Marinha não me fez nenhuma ligação. Disseram que informaram os familiares, mas a mim, nada. Não recebi nenhum chamado", disse Luis Antonio Niz, padre do cabo Luis Alberto Niz. 

Balbi pediu o contato do familiar e pediu desculpas, dizendo que a Marinha não é infalível, que um erro poderia ter ocorrido e que prestará toda a colaboração necessária. A maior parte dos familiares, após receberem as últimas informações sobre a busca, saiu da base naval em grupo, portando bandeiras da Argentina e cartazes com fotos dos desaparecidos.

Na porta da base, pararam para falar com a imprensa e anunciaram que iniciavam ali mesmo uma marcha até a praça central da cidade, para pedir ao presidente argentino, Mauricio Macri, que retome a fase de busca e salvamento do submarino, que foi encerrada na última quinta-feira. 

Os familiares pedem a presença de Macri na base naval. Os bispos da Igreja Católica na Argentina lançaram uma corrente de oração em todo o país, pelos "44 valentes servidores da pátria" e por suas famílias, "para que possam encontrar na fé o alívio de sua dor". /EFE

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