Palácio de Miraflores/Reuters
Palácio de Miraflores/Reuters

Chávez aconselha Obama a ver filme do qual ele é protagonista

Documentário 'Ao Sul da Fronteira' conta ascensão de Chávez ao poder e visão de aliados

Efe e Associated Press,

28 Maio 2010 | 22h33

CARACAS- O presidente venezuelano, Hugo Chávez, recomendou nesta sexta-feira, 28, a seu colega americano, Barack Obama, assistir ao filme Ao Sul da Fronteira, de Oliver Stone, para "que veja a realidade latino-americana".

 

"Que Obama veja este filme, este excelente filme de Oliver", disse Chávez momentos antes da exibição da obra, da qual ele é protagonista, em um cinema de Caracas. Para ele, "é importante" que o governante dos Estados Unidos "veja a realidade" mostrada na produção.

 

Ao Sul da Fronteira narra a viagem do cineasta nova-iorquino à América do Sul no início do ano passado e conta a ascensão ao poder de Chávez e a visão de outros presidentes e líderes regionais sobre as mudanças na região. O filme estreia em junho e julho em algumas cidades dos Estados Unidos e da Europa.

 

"Nos Estados Unidos, (Chávez) é demonizado, é visto como um monstro, um pesadelo e por isso apresentamos uma visão diferente, à qual os americanos não têm acesso", declarou o cineasta americano em entrevista coletiva.

 

Oliver elogiou Chávez ao promover seu documentário, que contém entrevistas informais com Chávez e outros seis presidentes de esquerda, de Evo Morales a Raúl Castro. O cineasta afirmou que o presidente está liderando um movimento "de transformação social na América Latina".

 

"Admiro Hugo. Gosto muito dele como pessoa. Mas devo dizer uma coisa. Não deveria estar na televisão todo o tempo. Como um diretor, posso afirmar que não deveria ser tão dominante, e creio que às vezes ele é", disse Stone.

 

Chávez dá discursos quase diariamente que se prolongam por horas, nos quais dá aulas de história, anuncia notícias de seu governo e até canta. Seu programa dominical geralmente dura seis horas ou mais.

 

"Ele fala de seu coração. Muitas vezes fala sem ter pensado muito no que vai dizer e se mete em problemas", acrescentou o cineasta, que não conteve elogios a Chávez: "Seu tipo é um touro, é um touro(...). Sua visão é gigante e ficará para a história".

 

O diretor ganhador de três Oscars espera que seu novo documentário ajude as pessoas a entender melhor um líder que é frequentemente ridicularizado "como um bufão, um palhaço".

 

Segundo Stone, ele não entrevistou oponentes de Chávez porque os americanos já escutaram bastante suas queixas e, além disso, o documentário não tem como intenção examinar detalhadamente o governo chavista.

 

Ao lado de Oliver, Chávez reconheceu ser mal visto nos Estados Unidos e na Europa. "O grande mérito do filme é contar a verdade", afirmou.

 

Stone disse que gostaria de entregar seu filme a Obama, exatamente como Chávez o fez com o livro As Veias Abertas da América Latina, do escritor uruguaio Eduardo Galeano, durante a Cúpula das Américas realizada no ano passado, em Trinidad e Tobago.

 

Ao recomendar o filme a Obama, Chávez disse ter a mesma intenção que teve quando lhe entregou o livro no ano passado.

 

"Obama o perdeu, teve seu momento e se tivesse lido o maldito livro, porque não leu esse livro de Galeano, se tivesse feito algo com o embargo a Cuba, poderia ter feito enormes amizades (na América Latina) e o veriam como ele deveria ser, um reformador. Mas não fez nada", criticou Chávez.

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