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Palácio de Miraflores/Reuters

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Chávez afirma que papa 'não e o embaixador de Cristo na Terra'

Críticas à Igreja aumentaram após cardeal ter denunciado que presidente quer instaurar 'socialismo marxista'

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Reuters e Efe ,

14 Julho 2010 | 19h03

CARACAS- El presidente de Venezuela, Hugo Chávez, investiu novamente nesta quarta-feira, 14, contra a hierarquia da Igreja Católica da Venezuela, pediu uma revisão do "acordo" com o Vaticano e afirmou que o papa não é o embaixador de Cristo na Terra.

 

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O Executivo, o governista Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) e representantes e outros poderes públicos têm criticado a cúpula eclesiástica nas últimos dias depois do cardeal Jorge Urosa, arcebispo de Caracas, ter denunciado que o presidente está conduzindo o país ao "socialismo marxista".

 

Chávez chegou a chamar os bispos de "trogloditas" e "homens das cavernas" que desconhecem as leis e a Constituição e denunciou que estão aliados com a oposição frente às próximas eleições legislativas, que serão realizadas em novembro.

 

O líder socialista, acusado por seus inimigos de estar fazendo uma cortina de fumaça com o caso para ocultar a ineficiência de sua gestão, pediu a seu chanceler, Nicolás Maduro, para revisar "o 'acordo' que o Estado venezuelano tem com o Vaticano. Vamos revisá-lo".

 

Não é a primeira vez que o militar retirado há 11 anos no poder ataca os religiosos, que denunciou terem participado de um golpe de Estado que o tirou do poder por dois dias em 2002. Desta vez, no entanto, ele atingiu diretamente o Papa Bento XVI.

 

"Com todo respeito ao Estado do Vaticano e ao Chefe do Estado, que é o papa (...), que não é nenhum embaixador de Cristo na Terra, como eles dizem. Pelo amor de Deus!", disse Chávez em um ato com o PSUV.

 

"Que coisa é essa de embaixador de Cristo? Cristo não precisa de embaixador. Cristo está no povo e nos que lutamos pela justiça e libertação dos humildes", disse, para logo depois acrescentar que o governo reconhece o papa.

 

Urosa afirma que o afã de Chávez para instaurar um modelo socialista atenta contra os direitos humanos, civis e políticos dos cidadãos, e que o governo se descuidou de suas tarefas primárias de proteger o povo da violência, melhorar a saúde e a infraestrutura do país.

 

O chavismo, por sua vez, afirma que os bispos estão ligados com a "oligarquia" e com os "ricos" e os exortou a fazer "proselitismo" sem a batina, desprezando os questionamentos à revolução socialista.

 

Hillary

 

Chávez expressou hoje sua "disposição" a uma reunião entre o chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, e a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, mas insistiu em supostas ingerências de Washington ao referir-se a uma suposta entrega de dinheiro a jornalistas oposicionistas e ONGs.

 

"Eu estou disposto (...), a secretária de Estado também quer vê-lo", afirmou o presidente durante um ato de seu partido. "Estamos dispostos sempre e quando nos respeitem", disse Chávez ao se mostrar igualmente favorável a uma reunião entre Maduro e María Ángela Holguín, anunciada como chanceler do próximo governo da Colômbia.

 

No entanto, o governante criticou atitudes do "império ianque", como a recente viajem de Hillary ao Equador para se reunir com o presidente Rafael Correa, aliado de Chávez, pois, em sua opinião, ela tinha como objetivo "dividir" a região.

 

"Vem a senhora Clinton, se veste de vermelho (cor habitual dos chavistas) e dá um discurso. Só que à frente do Equador está um sólido revolucionário: Correa", advertiu.

 

Chávez reiterou suas denúncias de supostas interferências americanas na Venezuela, desta vez por meio de um informe que, segundo disse, revela como jornalistas opositores venezuelanos receberam mais de US$ 4 milhões por meio de associações civis vinculadas ao Departamento de Estado americano.

 

O presidente também denunciou movimentos de tropas navais americanas no Panamá e repetiu que o acordo militar entre Bogotá e Washington que permite que os EUA utilizem sete bases colombianas é uma ameaça para a Venezuela.

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