Estadão - Portal do Estado de S. Paulo

Internacional

Internacional » Chávez diz que governo controlará quase metade das ações da Globovisión

Internacional

Ed Ferreira/AE

Chávez diz que governo controlará quase metade das ações da Globovisión

Do total de 48,5% que deve ser assumido pelo governo, 28,5% das ações seriam de banqueiro foragido

0

Efe e AP ,

20 Julho 2010 | 17h56

CARACAS- O presidente venezuelano Hugo Chávez afirmou nesta terça-feira, 20, que o governo controlará quase a metade das ações da emissora particular Globovisión, última crítica à administração chavista, porque um de seus acionistas está foragido e outro morreu.

 

Em uma cerimônia em um teatro de Caracas, Chávez disse que o governo controlaria 48,5% das ações do canal. Destas, 28,5% são de Nelson Mezerhane, dono do Banco Federal - que sofreu intervenção do governo por supostos problemas de liquidez. Os outros 20% seriam "de um senhor de sobrenome Tenório que lamentavelmente faleceu".

 

Assim, declarou o presidente, "ninguém poderá dizer" que seu governo está "expropriando" a emissora, uma das mais críticas a sua administração. "Não estamos expropriando, estamos nos incorporando ao negócio", defendeu.

 

Com 28,5% das ações do canal, a junta interventora do Banco Federal "é obrigada a designar um representante na junta diretora da Globovisión'", disse Chávez. O presidente disse que "não toca" a ele nomeá-los, mas que pode recomendar nomes.

 

Logo após o anúncio de Chávez, a Globovisón divulgou um comunicado em seu site, no qual afirma que a única concessionária do canal é a empresa "Corpomedios GV Inversiones, C.A.", cujos acionistas são três pessoas jurídicas, uma das quais é o Sindicato Ávila, representado por Nelson Mezerhane. Contestando o presidente, a emissora afirma que ele possui apenas 20% das ações da Corpomedios.

 

O texto também declara que os acionistas não têm direito de designar membros da Junta Diretiva da Corpomedios, já que são escolhidos pela Assembleia Nacional de Acionistas. Além disso, segundo a mensagem, independente de quem estiver em sua Junta Diretiva, "a linha editorial da Globovisión não tem porcentagem de ações. Ela não se expropria".

 

No dia da intervenção ao Banco Federal, em 14 de junho, Mezerhane disse à Globovisión que estava em Miami para fazer exames médicos. Logo depois, foi ditada uma ordem de prisão contra ele.

 

Há quatro dias, Chávez pediu ao presidente Barack Obama que o extradite porque "é um ladrão que fugiu com sete bilhões de bolívares (cerca de U$S 1,6 bilhão), que é o total aproximado dos depósitos" dos clientes de seu banco.

 

Após pedir uma lei que proíba empresários de serem proprietários de meios de comunicação, o líder venezuelano disse no início do mês que esperaria "um pouquinho" para decidir o futuro da Globovisión.

 

O presidente do canal e seu acionista majoritário, Guillermo Zuloaga, também é foragido da Justiça venezuelana após ter sido acusado de usura e associação criminosa por manter vinte veículos em sua propriedade. O empresário também se encontra nos Estados Unidos.

 

Zuloaga e Mezerhane consideram sua procura pela Justiça como um ato político por causa da linha editorial crítica ao governo adotada pela Globovisión.

 

Em 2007, Chávez recusou-se a renovar a concessão da emissora RCTV, crítica a seu governo, que teve de parar de transmitir em canal aberto e mudar sua sede para os EUA. No ano passado, as operadoras de canais a cabo também foram obrigadas a deixar de colocar no ar os programas da emissora logo depois de a RCTV ter se recusado a veicular as cadeias nacionais.

 

Atualizado às 19h00

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.