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Palácio de Miraflores/Reuters

Chávez pede calma a Obama para evitar 'guerra nuclear' com o Irã

Segundo presidente venezuelano, EUA não medem esforços para dominar o Irã e o petróleo do país

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Efe e Reuters ,

02 Julho 2010 | 19h34

CARACAS- O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, pediu nesta sexta-feira, 2, a seu colega americano, Barack Obama, calma no conflito que várias nações ocidentais mantêm com o Irã, por considerá-lo um possível detonador de uma guerra.

 

Obama aprovou na quinta uma reforma legal que impõe sanções severas a Teerã, limitando a importação de combustíveis ao país islâmico, bens necessários para sua crucial indústria de hidrocarbonetos, em uma medida de pressão para que o Irã abandone seu programa de enriquecimento de urânio.

 

"Estamos muito preocupados porque os Estados Unidos não tem limites em seu empenho para dominar o Irã e recuperar o petróleo do país", advertiu Chávez, crítico ferrenho de Washington e aliado político do Irã.

 

"Cuidado com uma guerra nuclear, Obama! Cuidado com uma bomba atômica! Porque logo depois que estoura a primeira, vem a segunda, e isto coloca ainda mais em perigo não só a paz mundial, mas sim a sobrevivência da espécie humana", aconselhou o presidente durante um ato oficial transmitido pela televisão estatal.

 

A ONU já impôs quatro rodadas de sanções ao Irã, a última no mês passado, que incluem medidas contra bancos iranianos no exterior, caso seja confirmada sua relação com o programa nuclear do país, assim como um embargo de armas e o acréscimo de várias empresas iranianas a uma "lista negra". As potências ocidentais afirmam que o programa nuclear iraniano tem como objetivo fabricar armas nucleares, o que Teerã nega e Chávez apoia.

 

O venezuelano disse, durante visita do presidente da Síria, Bashar al Assad, que faz parte do que os Estados Unidos chamam de "Eixo do Mal", junto a seus pares do Irã, Iraque, Coreia do Norte, Líbia, Síria e Cuba.

 

Venezuela e estados Unidos possuem relações diplomáticas bastante tensas. Apesar disso, Chávez deu hoje as "boas vindas" ao novo embaixador dos Estados Unidos

designado para o país, Larry Palmer, e expressou que "tomara" como "promessa" as declarações de Obama, de não se intrometer nos assuntos internos da Venezuela.

 

Chávez também insistiu em suas críticas contra a atitude "imperialista" de Washington, e nas denúncias de que os Estados Unidos buscariam se apoderar da riqueza petrolífera da Venezuela e o Irã.

 

Obama "acaba de enviar um novo embaixador à Venezuela, lhe damos as boas-vindas. É afrodescendente, claro", declarou Chávez em um ato oficial realizado no Palácio de Miraflores.

 

Obama propôs Palmer esta semana como novo chefe da representação diplomática em Caracas, uma nomeação que ainda deve ser confirmada pelo Senado americano.

 

Chávez disse que faz votos de que Palmer "cumpra com o que Obama" "prometeu" no marco da Cúpula das Américas, realizada em Trinidad e Tobago em abril de 2009 quando, explicou Chávez, seu colega americano lhe disse: "Não nos intrometeremos em coisas internas da Venezuela".

 

"Tomara, pelo menos isso. É a única coisa que nós pedimos. Respeito", afirmou o presidente venezuelano e defensor do chamado socialismo do século XXI.

 

Chávez e Obama protagonizaram uma inesperada aproximação durante a V Cúpula das Américas de Trinidad e Tobago, quando entre sorrisos e apertos de mãos expressaram sua disposição de recompor as relações desgastadas entre os dois países.

 

Colômbia

 

Chávez também manifestou hoje sua disposição em reunir-se e apertar as mãos do presidente eleito na Colômbia, Juan Manuel Santos, mas impôs como condição o "respeito" pela Venezuela e sua "revolução" bolivariana.

 

O governante disse que "o imperialismo é o mais interessado em uma guerra entre a Colômbia e a Venezuela", mas reiterou que sua administração continuará "avançando pelo caminho da paz" nas relações com Bogotá.

 

Durante a campanha presidencial do ex-ministro de Defesa do partido do atual presidente Álvaro Uribe, Chávez disse que se Santos chegasse ao poder, poderia "gerar uma guerra" na região seguindo supostas ordens dos Estados Unidos.

 

"Continuaremos observando o governo eleito da Colômbia (...). Nós o reconhecemos, mas o que pedimos e exigimos é respeito", disse. "O que ele (Santos) pensa de mim não me importa, mas ele tem que respeitar este país e este governo", acrescentou.

 

As relações entre Colômbia e Venezuela entraram em crise em agosto passado, principalmente após a assinatura de um acordo militar entre Bogotá e Washington, que permite que forças americanas podem usar sete bases colombianas para combater o narcotráfico e o terrorismo.

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